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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eu sei...


Eu sei que é amor, pois você é um sorriso certeiro quando olho em volta a procura de apoio. Eu sei que é amor, pois você me faz caminhar junto com a verdade. Eu sei que é amor, pois minha vida tornou-se muito mais feliz depois de você. Mais leve também. Eu sei que é amor, pois você transformou tudo que era errado em certo e soprou um pó mágico de realidade em todos os meus sonhos. Eu sei que é amor, pois sinto gratidão quando percebo o sentimento que encontrei em você. É você que sustenta meu frágil edifício, que não me deixa cair e que me acompanha retirando do meu caminho todos os véus que tentam me cegar.

Eu sei que é amor, pois você é a minha força quando estou fraca. Todas as vezes que eu não consegui falar, você foi a minha voz. Todas as vezes que eu não pude enxergar, você foi meus olhos. Só você vê o melhor que há em mim e eu só quero mostrá-lo a você. 

Quando eu não alcanço, você me ergue. Eu tenho esperança porque você acredita! 

Hoje eu tenho asas que você me deu. É com elas que eu consigo voar. Quando você segura a minha mão, eu fico mais perto de Deus, pois quando eu perdi a minha fé foi você que a trouxe de volta para mim.

Quando alguém ama a gente, é fácil reconhecer. Aquele que te ama, não escolhe suas estrelas, ele te faz acreditar que absolutamente todas estão ao seu alcance. Aquele que te ama não te aplaude quando você cresce, ele te ajuda a ficar em pé. Você se sente especial por ter ele em sua vida, se sente realmente grata por merecer sua companhia. Talvez não saiba exatamente o quanto, mas sente o vento de bênção que arrepia sua alma quando ele chega.

Se você sentir isso por alguém, se existir alguém assim na sua vida, não o deixe seguir sem saber disso tudo. A gratidão é um sentimento onipresente, que não tem preconceitos, nem hora para chegar. Isso serve para o amor entre amigos, entre namorados, entre familiares e conhecidos. Dedique a ele essa prece:

"Por você dedico a minha vida a fazer o bem, pois por você quero ser melhor do que eu já fui. Obrigada por passar por mim feito vento de carinho. Obrigada por ser a luz que me impede de conhecer a escuridão. Obrigada por ser a minha inspiração e por me conceder a honra de ter o seu amor brilhando na minha história. Em meio a tantas mentiras, você é a minha verdade. O meu mundo é muito melhor porque você riscou seu nome nas areias do meu destino. Não me deixe nunca padecer sob as injúrias dos meus inimigos, nem fraquejar diante das falsas línguas que me chicoteiam. Eu sou mais forte do que eu penso e os outros são só os outros. É em você que eu me espelho e é por você que eu quero continuar. Se hoje eu sou poeira, é por amor que eu vou me juntar."

Sim, eu me basto. Mas levo na bagagem a humildade de que não posso seguir sozinha. A todos aqueles que me ajudaram em algum momento da minha vida, que secaram uma lágrima minha ou ouviram atentamente sobre uma das minhas fraquezas, meu profundo agradecimento! Vocês restauram minha fé no próximo diariamente.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

A odisseia do auto-controle


Pelo bem da moral e dos bons costumes, inventaram o auto-controle. Aprendi  que não posso revidar o coleguinha que estapeia minhas orelhas sempre que senta atrás de mim, pois é feio. Preciso falar com a professora e avisá-la do meu incômodo. Bater de volta, JAMAIS! 

Depois eu aprendi que não devo me meter na vida de gente que não entende de moda e sai de casa parecendo um acidente da natureza, pois é feio. Devemos deixar os outros viverem. Aí eu aprendi, na mesma aula da aprendizagem anterior, que não devemos apontar defeitos dos outros, pois é feio. É falta de educação interferir na personalidade do outro, ainda que ele seja um filho da puta; o povo diz que a vida vai dar o troco. 

Tô esperando. 

Aí, logo depois, me ensinaram que não posso falar a verdade, pelo menos não toda, pois é muito, muito, muito feio mesmo ser sincera. Dizem que há hora e lugar para a honestidade. Achei que ela era tipo Deus, onipresente... Pelo visto, me enganei. 

Aí umas pessoas enfiaram na minha cabeça que é muito feio, tipo horrível, ostentar ou pagar de rico, mesmo que essas pessoas adorem marcar #iphone em suas fotos no instagram. Eu peguei, nessa aula, a apostila HIPOCRISIA e aprendi um tantão com ela, inclusive que ela serve para vários módulos. 

Aprendi que não posso avisar a uma pessoa que ela está parecendo que engoliu uma nota de 50 reais ou que balançaram a fava debaixo do kikiu dela, pois é muito feio dizer que alguém tem bafo ou tá fedendo. Eu que aprimore meus conhecimentos de apneia. 

Aprendi que não posso gritar quando me dá muita raiva e vontade de quebrar o crânio de alguém que é escroto comigo, pois perco minha razão(?) e é muito feio se descontrolar, ainda que o outro estoure todos os decibéis humanos possíveis. Ah! Aprendi que devo disfarçar o quanto gosto de funk e pagode, pois isso não é bem visto. 

Aprendi, também, que devo sorrir para quem eu sei que é falso, pois disseram que a política da boa vizinhança é sempre o melhor caminho. Não é bom fazer inimigos... Quem sabe o dia de amanhã? 

Aprendi que é um crime sentir ciúme, pois algum solteiro retardado/encalhado inventou que tudo que é meu, voltará, então não preciso segurar nem preservar ninguém. Deixarei livre meus passarinhos para que se percam nas granjas da vida. Quem sabe ele volta? 

Sabe o que eu aprendi também? Que TENHO que amar todas as crianças do planeta, pois são anjos enviados por Deus. Não, não são não. Alguns não são MESMO. E velhinhos nem sempre são agradáveis! E não é por serem mais velhos que, automaticamente, merecem respeito. Eu encontro cada um por aí...

Me ensinaram no facebook que não posso enviar solicitações de joguinhos para ninguém, mas eu preciso de vidas, ok? Eu preciso de batatinha frita no criminal case, movimentos extras no candy crush e amigos para expandir minha terra no farmville, mas devo esperar até amanhã para carregar minhas energias e brincar sozinha. É feio incomodar as pessoas no facebook. Muito feio mesmo! 

Aprendi que dá cadeia ter celulite. Estria, pena de morte. 

Aí no meio do caminho percebi que estava aprendendo a não ser eu e refleti. Na minha frente há uma multidão de pessoas iguais e robotizadas, seguindo o fluxo para nowhere! Eu, sinceramente, não tenho que aprender a conviver com ninguém. Na verdade, fica por perto quem quer. Eu até gosto de ser eu, às vezes. Nas vezes que eu não gosto, eu sempre converso com alguém que gosta que eu seja eu, aí fica tudo bem.

A gente só precisa se entender. Eu me entender, você se entender. Chega disso de entender o outro. Se entenda e seja seu melhor amigo. As cores do seu mundo partem de você. Cuidado com o auto-controle, ele é um vício maldoso. Na hora da reflexão, opte por ser você. Um dia dá certo! :)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Você sabe quem é o seu inimigo?

Você passará uma vida inteira, após a primeira decepção, procurando um algoz. Determinará, em cada vacilo de outrem, quem te importa e quem pode ficar para trás. Deslizará entre todos aqueles que atravessarem seu caminho com seus julgamentos intactos, muito bem resolvido com suas reflexões. Permanecerá fiel à sua mente inquieta, ao seu orgulho rochoso. Quem merece sua retórica? Quem alcança o seu perdão?

Caminha sobre pedras que você mesmo encaixou, forma, sob seus pés, uma trilha empoeirada de arrependimentos e lembranças que nunca te deixam ir totalmente além, muito menos reconhecer a necessidade de retroceder.

Aponta suas opiniões em uma linhagem cautelosamente imperativa. Ordena os seus passos, os outros passos, quem passa e quem já passou. Esconde seu rabo entre as lamúrias de um ser desajeitado, convicto de suas próximas pegadas, mas totalmente alheio ao processo de caminhar. 

Baterá o telefone como quem bate no rosto de um criminoso. Alçará pensamentos negativos por aquele que te deu amor. Desistirá de planos por falta de merecimento, negará abrigo a quem te abrigou. Ainda assim, inflará o peito de medos e fingirá uma coragem fragilizada, puro carnaval. Perseguirá todos os monstros em pessoas específicas, quebrará todos os vidros que protegem suas jóias, tudo em nome da moral. 

Vira oceano quando precisa da profundeza fria de sua zona abissal. Vira lago ao deparar-se com a necessidade impulsiva de voltar às suas origens. Transforma-se, rapidamente, em vento quando precisa ir embora. Quero ver se transformar em árvore: fincar raízes e permanecer. Aguentar a ventania, o abandono de suas folhas, o nascimento dos seus frutos, o furto dos seus galhos, os pássaros que te golpeiam e ficar ali.

Adianta? Adianta correr uma vida inteira atrás dos malfeitores quando o monstro mora em você? Adianta deixar-se sabotar na tentativa pífia e covarde de culpar os outros? Não pode ser tão doloroso assim olhar para dentro. Ou não deveria.

O destino do acusador é sempre a solidão. No fim de todos os dedos apontados, nem você sobrará. Tornar-se sincero consigo mesmo é o primeiro passo para viver em paz. Tornar-se sincero com os outros, é o primeiro passo para o paraíso. 

É importantíssimo descobrir quem é o monstro na sua frente. Mas nunca esqueça: você também é o monstro de alguém.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Respeito é um prato que se come quente.

Eu venho refletindo sobre o que penso sobre o respeito. Venho pensando se o respeito é sorrir para aquele de quem não gostamos, só por educação. Se respeito é não procurar confusão emitindo sua opinião sobre uma causa importante para você, só para não ir de encontro com o outro. Pensei se respeito é deixar pra lá. Pensei, também, se respeitar o outro é esperar outro dia, outro erro. Será que respeito é ver alguém completamente equivocado fazer mal uso da palavra, como diria nosso querido Chorão, e deixá-lo ser quem é pelo simples respeito de aceitar quem as pessoas são? 

Sabe o que eu descobri? Que o tempo não tem nada a ver com respeito. Que a cordialidade não tem a ver com respeito, muito menos a indiferença ou abnegação. Eu percebi que se você deixa o dia passar, a semana, os anos para consertar algo, isso deixa de ser respeito e passa a ser arrependimento. Eu descobri que se você é cordial com o inimigo para não arranjar problema, o respeito vira falsidade. Se você trata com indiferença aquilo que te incomoda, você se torna um ignorante e não pode reclamar do que virá. E se você abre mão das suas vontades para não entrar em conflito com as vontades de um outro explorador, você se torna um sabotador de si mesmo e precisa lidar com os limites que a vida te dará e com as pessoas que perderá no caminho.

Quando a gente quer falar de respeito, é preciso usar o agora. É preciso que a fala seja um instrumento imediato e eficaz. Respeitar é não deixar passar. Respeitar é ser fiel aos seus princípios. Não é denegrir o outro, mas encontrar o limite e respeitá-lo, sempre atento às suas próprias convicções e aberto a novos horizontes. Se respeitar é não quebrar suas próprias promessas consigo mesmo.

Aí eu fico pensando... O que fazer com isso? O que fazer com pessoas que amo que não usam bem o respeito nem com elas mesmas? 

Respeitá-las. E respeitar nunca foi concordar. Respeitar a péssima decisão de alguém é responsabilizá-la por isso e não compartilhar. E digo mais, respeitar precisa de um processo. Aquele que começa errado, que a gente tenta fazer o outro enxergar com os nossos olhos o que entendemos ser melhor para ele, para só depois entender que precisamos respeitá-lo e deixá-lo sozinho com suas escolhas.

Eu ainda estou no caminho. É muito difícil respeitar alguns pontos e espero compreender, nessa trilha, a diferença de deixar alguém sozinho com suas escolhas e abandoná-lo. 

Que difícil o respeito, mas me respeito por tentar.
Um beijo!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

This is not something to scream...

Quanta coisa acontece na sua vida durante um mês? 

A chegada, cada vez mais acelerada, do meu TCC, da obtenção do meu diploma e de uma possível - cada vez mais real - mudada de ares, vem me assustado. Sabe quando as coisas parecem acontecer rápido demais? 

Outro dia eu estava apreensiva, escolhendo três direções para uma provinha que mudaria minha vida. Minha pressa adolescente me rendeu vários erros, mas é dos acertos que eu queria falar. 

Além da bugada que esse blog deu em desaparecer com minhas imagens, outras coisas me impediam de escrever, de reciclar meus pensamentos, coisa que fazia com frequência por aqui. Acho que eu nunca tinha passado por uma reflexão tão silenciosa, tão intimista, tão pessoal.

Não é que eu tenha algo para reclamar da vida, aliás, não me sinto justa de fazê-lo. É só que eu estou sentindo de novo aquela coceira de menina de que há algo não ajustado nos meus planos. Pode ser uma crise universitária? Pode, lógico. Inclusive ela está empacando meu TCC há dias. Mas eu não sou como tantas outras colegas paranóicas e falsas idealistas. Minha faculdade não é meu mundo e eu amo isso, pois ali é um inferno.

Estou prestes a me formar, mas o diploma que tem mais me interessado no momento é o da vida. Eu sei que nós capricornianas nascemos velhas demais e só sentimos falta dessa juventude inconsequente na velhice, onde eu acho que residirá em mim uma velhinha muito louca e com um alto poder de envergonhar seus netos. Mas é que... Estou me sentindo muito mais cobrada pelo meu lado adulto ultimamente e isso tem me magoado muito. Ora pois, são apenas 22 anos com a insegurança de uma mulher de 40 e poucos, numa menopausa precoce, sem marido, sem filhos e com muitas celulites para cuidar. Estou anos luz atrás da forma como eu deveria me encarar quando penso no que me tornei.

Me sinto meio gasta, eu não quero ficar para trás. E por mais nova que me digam ser e que ainda há tempo para recuperar seja lá o que esteja parecendo me atropelar, eu me sinto estranha. Parece que, mais do que nunca, estou sendo bombardeada com imagens que eu antes não queria ser, mas agora sinto necessidade. É uma constante subestimação interna, um fantasma oriundo de falácias, coisa que eu antes sabia lidar e hoje me faz recuar alguns bons metros. 

E sabe o que é pior nisso tudo? Eu sei que tenho conteúdo, que não sou uma mondronga, uma largada. Sei que me misturo, que até me destaco às vezes, mas essa insegurança... Essa insegurança é uma merda, pois eu não acho a raiz. Ou melhor, até acho, mas não sei como lidar.

Enquanto vejo outras tantas ligando para tão pouco, brigando por centavos, se expondo para ninguém, trocando as bolas, os valores, eu me perco. Aí eu ligo para pouco, brigo por centavos etc...

Eu não quero ser todo mundo. Eu gosto de ser Isadora. Mas é muito difícil ser eu. Abaixo à superprodução intelecto-realista de uma mente borbulhante. Eu quero uma prainha, pé na areia e nada mais. Para ontem!


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eu posso escolher?


Você acredita em búzios? Em cartas de tarô, mãos que traçam o futuro? Acredita em destino? No imutável?

Desde pequena eu fui criada na lógica católica e, como acontece com muitos, na adolescência eu me entendi como espírita e sigo assim até hoje. 

De uns tempos para cá percebo que nossas crenças, apesar de extremamente fiéis, são fracas. E eu me dei conta disso após episódios rotineiros e estúpidos como a insistência de um livro chamado Oráculo em me dar respostas certeiras quando questionado por mim num dia qualquer.

Eu comecei a perceber que eu, depois de velha, estou me apegando a tudo. A obediência inquestionável não permeia mais os campos da minha fé e eu me percebo, agora mais do que nunca, uma liberta. Eu acho que atravessei a barreira, fui além dos ecumênicos, eu cheguei a uma religião em comum à minha paz de espírito. Eu não deixei de ser espírita, mas agora eu sou, muito além disso, uma comunhão em prol do que vier. 

Me dei conta de que consigo, sem medo de julgamentos, acreditar só no que eu quiser e me sentir bem. E isso pode significar que minha fé, numa tarde duvidosa, vai se amarrar a um livro da Saraiva que diz conter as respostas para as perguntas da vida ou, em outro dia ensolarado, que vou responsabilizar um passarinho pelas minhas decisões: tipo assim... se ele voar, eu vou, se ele não voar em até um minuto, eu fico. E ainda assim, o que ele fizer, se eu não concordar, me permitir fazer o contrário do combinado comigo mesma.

Eu acho que, na verdade, eu não confio mais no destino. Eu me assusto e não consigo me convencer dessas coisas que estão "escritas". Se estão escritas, então que eu ache o mapa que me leve até lá para eu apagar, pois não resta graça nenhuma nessa vida que já é curta se ela seguir independente dos meus sentimentos, do que eu buscar para mim, das portas que eu decidir, de última hora, não abrir.

Eu quero ser um livro que tenha sua metade em branco e a outra parte toda rasurada, com folhas amareladas e outras cheias de adesivos e entradas de cinema. Sem contar com as que terão pulseiras daquele show maravilhoso e a etiqueta da minha primeira calcinha fio-dental. 

Eu juro que acredito num croqui de vida, numa perspectiva possível de vivências, mas não consigo me convencer do engessado, do traçado, do imutável. Eu prefiro ser do time do livre-arbítrio, aquele que me responsabiliza inteiramente pelo que vou fazer e pelo que atravessar minha vida. Quero que seja minha a assinatura embaixo de cada contrato quebrado por pessoas que eu julgava serem minhas amigas. Quero sentir o doce de saber que conquistei aquela pessoa, pois fui mais cheirosa na padaria aquela manhã. Isso pode estar escrito? Pode... Até eu questionar se está escrito ou não já pode estar escrito. E o perfume exagerado também e o pão e a padaria...

Vamos dizer assim. Eu, aqui, agora acho que não acredito mais em mim. Eu, no fim desse texto, acho que já estava escrito que eu escreveria isso aqui e quando eu escolher ali e depois mudar para lá, também estava escrito. 

Mas quando alguém me disser que leu numa borra de café que eu terei 2 filhos, eu quero ter 3, assim, só para contrariar. Eu posso escolher? Então eu escolho não acreditar, acreditando, para poder acontecer. Pode ser?


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Meet me halfway


Nunca haverá, nem na maior das civilizações, relacionamento mais difícil do que o que é construído entre duas pessoas. Lidar com grupos, com comunidades, tudo vira fichinha perto de uma relação a dois.

No quesito playstation, somos heróis. Passamos por fases feito jogo de criança. E a cada fechamento de um ciclo, um vilão para nos enfrentar. 

Enquanto há encantamento, há cegueira qualitativa. Somos alheios aos defeitos. É impressionante como nada, absolutamente nada nos incomoda. E construímos sozinhos, aliados às nossas inseguranças e esperança de ser ele O cara, um pseudo-modelo temporário de futuro. 

A gente abraça aquilo, assume e inicia o caminhar. Como tudo parece se encaixar, a gente segue de mãos dadas olhando para a frente e esquece, claro, de olhar os passos de quem está ao nosso lado. Até o primeiro tropeção. 

A pessoa que nos segue trupica e a gente recua para olhar qual foi o obstáculo. No pior dos casos, vemos naquilo que o barra, aquilo que nos impulsiona ou vice-versa e um cantinho do olho se abre. É janela aberta para a consciência, para o nosso superego faminto por revelações.

Há naquilo o que não queríamos ver, o que estava ali, os rumores, as hipóteses ignoradas. Há naquele momento tudo que estávamos evitando: o medo de ficar sozinha, de voltar para o zero, de começar de novo, de assumir um posicionamento e se arrepender, de comprar briga, de perder.

Temos todos os abraços, a (falta de) desculpa, os beijos... Tudo isso vira paliativo. Funciona por uma noite? E como! O problema é que todo dia, por mais ruim que seja, acaba. E é no amanhecer que mora a revolução. 

Não adianta fugir: quem amanhece, reflete. Quem reflete, revisa. Quem revisa, percebe a falta e questiona. E o problema é questionar, não é responder. É saber perguntar, e quem se afasta de pergunta normalmente não tem boas respostas e isso me assusta.

É uma pena não poder se arrepender por alguém, não poder se transmitir confiança pelo outro que o deveria ter feito, é uma pena, de coração, não poder adivinhar.

E a velha premissa de que bom seria se todos viessem com manual de instrução e histórico de erros cai por terra, sabe por quê? Porque não é assim que funciona e a gente precisa se arriscar.

Não há leitura de mão que derrube o poder de um livre arbítrio. O destino não é engessado e eu posso modificá-lo conforme minhas ações. Eu sou senhora do meu destino, como já diria aquela novela da Globo. Há coisas no nosso trajeto de vida que podemos, graças a Deus, modificar e eu vou atrás delas, pois é onde me afirmo enquanto detentora dos meus atos.

Eu não gosto de me arrepender, eu gosto de trabalho bem feito, bem elaborado, bem finalizado.

Eu quero ser sempre bem resolvida e isso exige muito de mim, pois não há, quase nunca, alguém que compartilhe da mesma vontade, dos mesmos princípios, das mesmas pretensões que eu. Nunca há alguém disposto a nos encontrar no meio do caminho. O que há, na maioria das vezes, é alguém enraizado nos primeiros passos de um relacionamento fracassado, por ambas as partes, esperando que alguém os arranque de um passado traumático, rumo a um desfecho estonteante.

Que cansaço...


quinta-feira, 10 de maio de 2012

What goes around...


Não tem jeito, não é? O passado é o período de nossas vidas mais inconformado de todos. Volta e meia ele retorna. E retorna cínico, na maioria das vezes. Sonso, dissimulado. Fingindo que ele não aconteceu.

Lá atrás, num dia qualquer, na fragilidade dos nossos sonhos, a gente dá um passo que, mal sabe a gente, mudará o curso inteiro. No segundo em que optamos, a vida toma seu rumo, modifica o destino inteiro e a gente se reconhece numa simples decisão mal dimensionada. 

É quase um carrossel obrigatório em que o passado acha, convicto, que você não pode jamais abandonar o cavalinho e que, pior, tem que se conformar com as voltas tontas que te mostram sempre a mesma paisagem. Andar em círculos, essa parece ser a oração do passado que incomoda.

Se diante de um passado insistente há sempre um fraco presente, as coisas retornam. Invadem janela, arrombam a porta e se instalam, assim, como donos da casa. Não há mais espaço para campainha ou educação. Mas, como até burro manco empaca quando quer, é preciso negar a repetição, a inconveniência da passividade sentimental e bater o pé: agora, não.

Quem pensa que evitá-lo é a melhor saída, sinto dizer, está redondamente enganado. Remédio para o passado é o enfrentamento. Olhe nos olhos dele e  consiga dizer não. E ressalto, passado tem que ser finalizado. Qualquer questão mal resolvida retornará. Todas elas, sem exceção, encontram seu presente para se pronunciar.

E como eu, militante da causa, não quero abrir espaço para averiguações, vou parar de falar. Até porque passado que é passado vasculha terreno para emergir e aqui não há margem ou superfície que o defenda. Aqui o naufrágio é certo. 

Atenciosamente,

Sra. Iceberg


segunda-feira, 16 de abril de 2012

O mistério do cinema

Resolvi falar sobre algo muito categórico na minha vida, causador de muita polêmica nos últimos dias e idiossincrasia a qual, depois de recuperar minha auto-estima, me orgulho em representar. 

EU SOU UMA MULHER DE CINEMA!


Antes que apareçam os críticos, não estou querendo dizer com isso que sou maravilhosa, estonteante, badalante e absoluta, não. A questão aqui é extremamente diferente e eu vou dividir com vocês.

Depois que a gente termina uma relação, seja lá de quanto tempo tenha sido, a gente passa uns dias de luto no aguardo do grande dia que teremos forças para  recomeçar. O problema é que assim que esse dia chega, entramos na fase do abate. Todas as piscadinhas são motivo de alarde, o sinal liga no mais singelo dos toques e é só perguntar se estamos bem que a gente já está apaixonada. 

Aí a gente entra na fase da desilusão x desespero. A gente fica caidinha pelo cueca que olhou por mais de 3 segundos diretamente nos nossos olhos de ressaca e já acha que é o amor de nossas vidas. Se nos próximos 10 minutos ele não nos oferece um pedido de casamento, vem o desespero. Somos feias, podres, azaradas, ninguém mais vai nos querer, estamos velhas, ultrapassadas, não queremos mais ninguém, é isso aí, piriguetei.

Vou te contar, ô fase miserável. Eu passei por ela e sobrevivi. Com arranhões, mas sobrevivi. O problema é que nessa época de recuperação tardia ficamos em constante discussão com nosso ego. Na mesma hora que queremos, não queremos mais. No fim da noite, queremos novamente. E por aí vai! 

Foi nesses entraves emocionais que me percebi uma mulher de cinema. Não é que não houvesse oferta de procura, mas às vezes parece que os homens têm receio de falar comigo. Novamente, não sou um monumento, mas pareço exalar algum tipo de pedido de distanciamento. Enquanto outras amigas são cortejadas freneticamente e diretamente na minha frente por cuecas sedentos, no meu quintal nada floresce. Aliás, até floresce, mas com muita cautela.

Eu acho massa que me vejam como a delicada, a pra casar, a fofinha, a inteligente, pseudo nerd intocável e engraçada. Mas ser o protótipo - e reforço a etiqueta que eu não assumo, posto que não sou tão porcelana assim - da noivinha é uma MERDA sometimes.

Enquanto outras são a cachaça dos marmanjos, eu sou o cinema. Literalmente, o cinema. Ouvi diversas vezes em um curto espaço de tempo que eu sou aquela para levar para assistir um filme, andar de mãos dadas, enquanto aquela ali... Ah... Aquela ali não, aquela ali é pra tomar uma em sua intenção, agora, ali, bora logo, fui.

Não que eu queira luxúria, muito menos que seja do meu desejo sustentar uma imagem que deveras não é minha, a de periguete assumida. Não anseio ser assim, mas que caralho de inferno de achismo babaca que pressente comportamentos angelicais numa mulher já formada, usada pela vida, vivida e idiossincrásica, impelindo-a a implorar por uma padilha cigana em sua existência cósmica. Não quero ser fruto de um sonho unicorniano, pois santas não alcançam nada.

Depois de muita luta interna e várias consultas ao meu Oráculo pessoal, já aceito melhor meu lugar na lista de tipos de mulher, mas não quero me arrepender, portanto não me julgue. Sim, eu sou uma mulherzinha, não ataco homens e nem lanço olhares fulminantes, mas eu sou muito agradável e no meu reino de bondade e magia sempre há espaço para a adição de alguém que precise de compreensão, posto que esse mundo, cruel e injusto, sempre incitará nos homens um poder de cegueira sentimental ao qual eles partilham sem escolha e eu conheço bem isso, afinal, estou estudando para tratar, digo, lidar com isso. Eu sei que alguns prestam, alguns muitos, inclusive. Tenho conhecido ótimos exemplares! O arsenal está interessante e o cinema está lotando... de amigos, claro.

Não é porque meu sorriso não é sensual e o meu olhar é desajeitado que eu sou uma tapada. Pode chegar, meu caro. Eu não mordo, não. 

Portanto, juntai-vos as mal interpretadas, as iguais, as que compartilham do ideal distante de mulher mimimi, as mulheres de cinema! Nós não somos tão mornas assim... Afinal, muita coisa acontece no escurinho do cinema. 

É OU NÃO É, CASEMIRO??? 


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Keep walking, Johnnie.


De vez em quando a gente se bate, ao decorrer dos nossos dias, com situações pequenas que modificam toda uma rota. É em uma situação aparentemente repentina que suas intenções mudam de rumo, que a cabeça revira, que o coração volta a bater. 
De fato, é sempre quando não se procura, que se acha. O problema é achar algo que não queria ser achado, pelo menos não por você. Aí a coincidência vira obrigação. Quando a gente acha o que não estava procurando e essa coisa se encaixa, a gente quer que essa coisa também encontre a gente. Pena que quase sempre não é assim ou ainda bem.
Das muitas vezes que quebrei a cara com as minhas escolhas, em quase todas, eu achei algo que não procurava ao mesmo tempo em que fui achada. Resultado? Dois impulsos gerando um fracasso premeditado. 
Depois de um tempo, reparei que é muito mais legal quando você acha primeiro e consegue conquistar na calma da perseverança. É quando eu desisto que normalmente a magia acontece. Engraçado isso, não é?
Esse texto de hoje nasceu de três frases que eu achei por aí e que me deram um flash de nostalgia.

"Afinidade não se explica, amizade não se força, confiança não se obriga e sentimento não se controla."

Não é assim que começa? Quando estamos distraídos, a afinidade se instala de mansinho. Não há explicação, pois não há maneira mais retórica de se entender a afinidade senão sentindo. E aí surge a sensação de amizade. Aquela coisa de querer ficar por perto, de achar tudo engraçado, de prestar atenção, de concordar, de acompanhar. Depois a gente confia. Quando a gente confia a gente dá o primeiro passo para a lucidez. É aí que a gente se pega confiando em quem quase não conhecemos, sem nem entender o que é essa confiança. A gente simplesmente sente que confia, que PODE confiar, até o sentimento aparecer. E, de fato, sentimento não se controla e essa frase não precisa de explicação.

"Os que desprezam os pequenos acontecimentos nunca farão grandes descobertas. Pequenos momentos mudam grandes rotas."

Talvez essa seja uma das fases mais torturantes de uma conquista. A gente espera que aquela pessoa entenda nosso olhar, que leia nosso corpo, que capte o que transmitimos para ela e leia nosso pensamento quando direcionamos o que sentimos. A gente sempre espera demais. Eu, particularmente, até tento, mas sempre em vão. Pois ou eu pareço uma idiota ou eu passo longe de demonstrar. É difícil controlar quando queremos demais sem saber o motivo, pois não há álibi e parece que para o outro entender sempre precisará haver provas. Eu não quero provar nada, só estou aqui. E o quão especial seria se nesses pequenos momentos de coragem o alvo decidisse mudar nossa rota...

"É engraçado a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer..."

Aí pronto. No encontro do nada com coisa nenhuma, a gente desanima e abaixa a guarda. É a receita perfeita! Quando você vira de costas, sente um sopro do destino na nuca indicando que só agora você está pronto para, quem sabe, receber um aviso, viver alguma coisa, experimentar. O sentimento de frustração que eu sinto, que você sente, quando não acontece na hora que eu queria e do jeito que eu queria, parece sempre me remeter àquela sensação de quando queremos o que achamos que precisamos. O problema é que a gente sempre acha demais. 

Eu parei de achar e, vou te dizer, encontraram o caminho das pedras. Tem gente me achando por aí justamente quando eu parei de procurar. Sábio Johnnie...

Boa semana ;)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Assim assado.

Sabe aquele dia em que o céu, mesmo azul, parece cinza? Aquele dia que você não aceita o que há, o que houve, muito menos o que haverá? Que você está meio assim assado? É justamente nesse dia que os outros também não te aceitam e tudo vira uma bagunça.

São esses dias que criam nossas inseguranças. São eles, também, que criam nossos medos. E é neles, normalmente, que fraquejamos e desistimos de sermos nós. Aí choramos, né? A gente sempre chora muito. E a gente sabe por que está chorando? Quase nunca. Ou até sabe, mas sempre fica a sensação de não ser só isso. 

Para mim, nesses dias, nesse choro, nessa falha é que conseguimos desmistificar nossa armadura. Na tentativa pífia, irracional de nos protegermos o tempo inteiro dos outros e de nós mesmos, nessa hora o motor desliga, o zíper se abre e saímos do nosso corpo de costas, deixando só a carcaça e o fim.

É assim que a realidade cruel do sentimentos mais mundanos nos quer ver. Fracas e desmerecidas. Fracas por achar que não aguentamos mais uma porrada. Desmerecidas por achar que não faríamos nada melhor que o outro, que esse corpo, nosso caráter construído, nosso jeito, nosso amor, apesar de não nos deixar mentir, não nos protege mais.

É no pior momento de todos, quando não há forças nem para abrir os olhos que precisamos respirar mais uma vez. Não há problema em chorar, em fraquejar ou desistir. Pelo menos não deveria haver. O problema é não conseguir seguir em frente. O problema é desistir de você.

Que seja sempre bem-vindo o seu bem-estar, a sua graça, sua respiração fácil e a sua cabeça leve. Que tudo seja sempre feito com muito amor e verdade. Que você respeite seu tempo e seu limite. Que dê ouvidos ao seu coração quando ele te pedir para desacelerar. Que dê ouvidos aos seus pensamentos quando eles pedirem para você reconhecer. Que dê razão ao seu corpo quando ele pedir para parar.

Independente da religião, vamos lembrar das palavras de Chico Xavier. No momento da queda, lembre-se que isso também passará, assim como a sua felicidade de ontem passou e que tudo é passageiro para aprendermos a ter equilíbrio. 


Eu desejo para vocês, no meu momento de fraqueza, inspiração para recomeçar e força para entender que eu sou o melhor para mim e que não há erros na minha criação. Que eu sempre evolua para o bem e que encontre, no meu caminho, gente disposta a suportar meus tropeções e respeitar o meu silêncio.

Eu desejo para mim mais credibilidade. Que o meu amor por mim seja sempre genuíno, que não haja ninguém pisando em mim, que os de baixo sejam sempre guardiões, os dos lados campeões, os de trás propulsores e os da frente invisíveis, pois o caminho é meu e a responsabilidade também.

Uma boa semana para vocês e muita calma no coração :) 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Está decidido.

Há quatro anos me vi ingressando no curso de Psicologia. Para mim, seria um hobby. Eu entrei com a pseudo ideia disseminada em quase toda primeira turma do curso de que eu queria e iria entender melhor as pessoas e que era só isso. Recalquei meus problemas durante o primeiro ano da faculdade e segui ilesa para o terceiro semestre.

Se eu tinha traumas? Claro. Tenho. Se eu faria terapia? Jamais. 

Eu sempre fui a bengala de alguém. Desde pequena, eu era a mais solicitada, um dos motivos que me levou a psicologia e leva muita gente até hoje. E não, não é porque você é uma ótima amiga e dá ótimos conselhos que você será uma excelente psicóloga. A psicologia vai muito além disso e dar os melhores conselhos não está no nosso código de ética, muito menos no nosso juramento.

Nessa lógica, as pessoas ignoravam o fato de eu ter algum problema, de eu sofrer por algo, já que sabia lidar tão bem com os problemas delas. Qualquer um na minha posição sabe que esses são valores totalmente contraditórios e que se anulam na maioria dos casos. Culpa minha, também, claro! Fui a mulher-maravilha mesmo antes de deixar de ser criança e sustentei o máximo que pude a estrutura rochosa que me protegia de entrar em contato com o que eu sabia que me derrubaria.

Na minha cabeça, mesmo estudando para me tornar uma psicóloga, nenhum profissional estaria a altura dos meus sofrimentos. Eu tinha a forte sensação de que ninguém me entenderia ou levaria a sério o que eu diria. Morria de medo de ser mais um paciente para aquela pessoa e de passar batida pela terapia, como um arrependimento que eu poderia ter evitado por toda a minha vida. Com base nisso, resisti muito até desistir ou, melhor dizendo, tomar coragem. Mal sabia eu que esse era um dos meus sintomas.

Me lembro até hoje, era uma aula de Psicologia Analítica sobre sonhos. Estávamos ouvindo o relato do sonho de uma de nossas colegas que relatava a mesma em cima de uma pedra, no meio do mar, perdendo um de seus sapatos que ia sendo levado pela maré para muito longe. Foi a primeira cutucada do meu inconsciente. Me segurei até o fim da aula e, quando fomos liberados, fui para o banheiro chorar. Chorar muito, diga-se de passagem. Não entendia o motivo e sentia muita raiva por ter deixado meu inconsciente me boicotar dessa forma.

Dali em diante foi uma corrida para o fundo do poço. A cada semestre, uma nova ferida era aberta. Quanto mais eu avançava na faculdade, as disciplinas iam ficando cada vez mais explicativas e práticas e eu ia me despindo. Foi tudo embora: minha armadura, minha máscara, meu semblante, meu sorriso. Tudo foi tirado de mim, restando apenas a capacidade invejável que eu sempre tive de dissimular.

Ainda assim, continuei firme. Não iria procurar terapia. Era como se fosse um dentista que não sabia identificar em qual dente estava o problema! Eu estava decidida a descobrir o que havia comigo e a me "consertar" sozinha. Não é possível que eu não conseguisse, quanta frescura!

Em um momento específico da minha vida, durante o curso, aconteceu algo que foi decisivo. É como se houvesse uma torre de dominó e retirassem aquela peça que está na base e a torre se desfizesse. Como diria Maysa, meu mundo caiu. Eu aguentei firme por anos, mas já não havia forças. Me sentia muito mal tratada pela vida injusta que eu achava que tinha recebido. Não havia mais sentido em nada e eu não tinha outra saída a não ser admitir minhas fraquezas e admitir que eu não conseguiria dar mais nenhum passo sozinha. Foi aí que procurei a terapia.

No primeiro dia, eu chorei quando toquei na maçaneta da sala e só parei quando coloquei meus pés para fora dali.

O processo de terapia é extremamente doloroso para quem procura por "justa causa". Para quem sabe onde mora a raíz, o desmame, o contato, tudo é muito difícil. É ruim mesmo e tem dias que eu penso em não voltar mais. Mas tem dias que eu penso "como eu vivi tanto tempo sem isso? poderia ter sofrido menos!". Bom, na verdade não sei se poderia, mas, com certeza, entenderia mais as coisas e saberia me ajudar.


Já no primeiro dia me senti inteiramente despedaçada. Sentia que minha terapeuta me despia diante do que me incomodava, expondo minhas feridas e fazendo questão de reanimá-las para, só assim, acharmos uma solução que não fosse paliativa para elas. Era o movimento contrário ao que todos pensam ser a terapia. Entendi que ali não havia soluções prontas para os meus entraves e que a cura estava longe de ser acessível, pois já era um mal extremamente enraizado.


Hoje eu sei que enquanto paciente, preciso, de fato, de muita paciência. Aprendo a cada dia como lidar com algo que é meu. Aprendo a encher menos o saco de gato que carrego dentro de mim, como ela mesma diz, para que, no desespero, eu transborde menos e me concentre mais. Aprendi que as dores que atravancaram minha vida podem nunca ser esquecidas e podem, também, sempre interferir na minha vida. Estou lutando para que essa interferência seja esporádica e não cotidiana como vinha sendo, pois o machucado e as lembranças não somem, sou eu que mudo e aprendo a viver bem com elas na minha história.


A terapia, para mim, foi uma libertação, pois me deu coragem para enfrentar o que havia de mais obscuro e tenebroso em termos de memórias e sentimentos guardados na minha vida. Retomei muita coisa e falei de "velhos amigos" naquela sala que tudo sabe sobre mim e reconheço o preço disso.


Agora eu choro muito mais do que antes, sou extremamente verborrágica e estou, cada dia mais, conseguindo segurar menos dentro de mim o que eu penso e não admito mais fazer a política da boa vizinhança, isso é uma total perda de tempo. Agora eu chuto o pau da barraca com mais facilidade, sou muito mais sincera e gosto muito menos de gente, muito embora esteja com o faro mais aguçado para reconhecer boas pessoas e escolher quem permanece e quem sai da minha vida. Sem remorso.


É todo mundo que precisa de terapia, Isadora? Não! Não mesmo! Eu adoraria não precisar! Mas é importante julgar e ter peito para dizer que há algo na sua vida que você precisa superar, caso tenha, e pedir ajuda. É como um veneno necessário. Mas dá, sim, para viver toda uma vida sem nunca pisar em uma sala de atendimento psicológico. A minha história é minha. A sua história é sua, saiba reconhecer suas limitações.


O que para muitos pode parecer um retrocesso, para mim é um recomeço. Retomo, a partir daqui, as rédeas da minha vida e a responsabilidade pelo que me fere no caminho. Está decidido! 

  






quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DIA DAS CRIANÇAS!

...dos anjos, dos carinhos, dos banguelas, das gargalhadas, dos pimpolhos, das canseiras, do aconchego, dos olhos brilhantes...

Eu só não gosto MAIS do dia de hoje porque eu não sou mais criança! Aí compenso com as crianças que me cercam!

As crianças chegam ao mundo como folhas em branco no quesito maldade! Nós somos as canetas, quem risca, quem colore, quem enche de formas, de figuras, quem dá o nome, o apelido e assina embaixo.

É a gente que ensina a amar! Ensinamos, também, a não gostar! Ensinamos o que é respeito e se devemos ou não respeitar. Somos exemplo, reflexo, futuro, projeto. Seremos quem eles gostarão de ser ou estereótipos que eles nunca mais irão querer encontrar pelo caminho. Fornecemos o croqui, o rascunho, o rabisco de uma vida e eles assumem um pincel autêntico, quando encontram espaço para isso. Eles precisam crescer. Nós precisamos deixar que eles cresçam.

São eles que nos lembram o que já passou. Eles são saudade do que era nosso. Eles são saudade do que já foi. São risada esquecida, inocência há muito perdida. Crianças amam com o coração antes de amar com a conveniência. Crianças reconhecem adultos-crianças e os convoca para a roda. Crianças reconhecem adultos-adultos e os afasta da corda. Não dá para enganar criança como se engana um adulto.

Que no dia de hoje vocês dêem brinquedos, mas também brinquem de dar amor físico e emocional para seus pequenos. Que perguntem o que querem ganhar, mas perguntem, também, como foi seu dia, se querem te contar alguma coisa, se sentem medo de alguém.


Nossas crianças não são o futuro da nossa nação, simplesmente pelo fato de serem apenas CRIANÇAS. O futuro está na mão da educação que damos a elas. Do cuidado, do zelo, da conduta.

Essa responsabilidade é nossa e não delas!


REPONSABILIZE-SE!



PARA DENUNCIAR UM CRIME CONTRA NOSSAS CRIANÇAS, DISQUE 100!
SE ENCONTRAR ALGUM SITE OU BLOG QUE INCENTIVE A PEDOFILIA, DENUNCIE DIRETAMENTE NO E-MAIL DO GOVERNO: CRIME.INTERNET@DPF.GOV.BR OU NO SITE DENUNCIA.PF.GOV.BR

ENSINEM SUAS CRIANÇAS A AMAR! AMAR MUITO!

"Todo mundo está pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que se pensará em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Deixo com vocês a música mais especial, na minha opinião, que a Disney já se vinculou! Beijos e se arrepiem!





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quero falar com você.

"Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso assegurar que um dos dois pensa por ambos." Freud


Às vezes me assusto com a maneira que Freud me convence. Ou confirma meus pobres achismos. Sempre duvidei, ou melhor, nunca acreditei nos casais de fala pronta "a gente nunca briga!". Coitados. Pois eu sempre brigo, graças a Deus. Para mim, amar alguém e nunca discutir com ele é loucura, pior, é leviandade. Essa história de que combinam em tudo, concordam com tudo, como Freud disse, é dito e certo: Há apenas uma cabeça pensante ou engajada nessa relação. Não opinar, não discutir, sempre concordar podem ser sinais clássicos de submissão. Pode indicar alguém que não se empenha, medroso em discordar, que não se arrisca, que prefere se acomodar. Pode indicar alguém que tenha extremo medo de perder, alguém que se anule em prol do ad eternum que nunca existirá. Pode indicar alguém com preguiça de você, que não quer se envolver. É preciso movimentar a linguagem entre relações. E, com isso, não estou dando carta verde ao barraco, a gritaria, ao dedo na cara, não, não, nada disso. As pessoas banalizaram tanto o termo discutir que virou sinônimo de mágoas, de arrependimentos, virou DR, sempre ligado a algo ruim.

Discutir, como tantas outras, vem do latim, do termo discutere, a junção de dis = separação com quatere = sacudir. Ou seja, é o sacudir e separar de palavras. Quando há algo para ser discutido, você separa os argumentos para ver o quanto são sólidos e os separa de acordo com sua moral, com seu juízo de valor, cometendo, assim, uma série de erros, é claro, como qualquer um. Nossos preconceitos, sempre incovenientes, encharcam nosso discernimento e fazem com que a gente ouça tudo em um tom muito pejorativo. Fora a mania que temos de ouvir tudo em posição de ataque-defesa, nunca de compreensão.

Aos que não se arriscam, sobra o relacionamento unilateral, aquele que abarca dois pombinhos em perfeita sintonia, dividindo um único cérebro sentimental dentro de uma relação fictícia. Não gosto disso.

Aos que encaram a posição do surdo-mudo em qualquer tipo de relação, meus pêsames. Quanto tempo perdido! Quanto luto acumulado. Isso dá úlcera, sabia?

Aos que amam em contradição, que reconhecem, de longe, a cagada de um amigo, que discordam da opinião de quem ama mesmo sendo ele o mais amado. Aos que encaram o zelo com seriedade, que extravasam sinceridade mesmo quando ela pode doer, mesmo quando ela, por mais que só depois entendida, ensine a crescer. Aos que gostam com saúde, aos que amam na plenitude do merecer, aqueles que evoluem na direção do saber, aos que idolatram a língua, a fala, o jeito de dizer, meu profundo respeito.

Um dia eu me apresso e chego até você. Por enquanto, vou ponderando. Tem coisas que, realmente, chegam a doer. Você ouve, cala e continua fingindo viver.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

#longoconto

Ela sempre esteve lá. Ele nunca viu. Antes de sair, olhou seus olhos no espelho, penetrou em seu próprio olhar, se convenceu e partiu. Antes de quase perto, parou um pouco, fechou os ouvidos e falou consigo. Antes que pudesse controlar, já pedia para seu coração se acalmar, para seus pêlos abaixarem, para seu corpo se iluminar. Ele estava lá. Ainda não a via. Ela sempre em sua via. De tão linda, foi notada. Seu corpo selecionado, seu sorriso largo, seu abraço fácil. Quem dera aquela música durasse mais que os seus pés pudessem suportar. O beijo encaixado, os olhos fechados. Em quê poderia errar? A Cinderella era ele. Seu feitiço, quebrado por um cigarro, afogado em um copo de bebida, durou tão pouco que chegou a doer. Onde está o erro, onde foi parar o desejo? Fora tudo feito nos eixos. O cabelo, o comprimento no joelho, a vontade de querer. O querer de começar, o querer de convencer. O menino não entendeu. Fez que era seu, se mandou, correu, não deixou nem ela falar. Sambou no seu amor, fez piada do batom, difamou sua investida, fez pouca coisa da bainha. Nela nada mais cabia. Apertava no peito, apertava o beijo, a lembrança, a confiança. Acabou tudo e ela não entendia. Se foi algo que fez, custava dizer? Ela poderia melhorar, mas ele não disse. Ele não disse quase nada. O limite se enterrou no seguinte: "Serei sincero com você, não posso me perder. Acho que vou te machucar, não sou eu, é você." Sem quase escutar, agradeceu a sinceridade. Entendeu que era medo e deixou na saudade. Deixe ele ir embora menina, o medo não dá em você. Sinceridade é ponto de vista bobo, ele mentiu pra você. O que dá medo, menina, na verdade, é te perder. Foi evitada o tempo todo, achou que fosse morrer, para depois de muito tempo, ajoelhar de tanto agradecer. Homem de verdade, menina, só te dá o bem querer. Homem de verdade, menina, tem medo é de não ter você. *Sugestão de Jacqueline Lopes "Homens que, por medo de assumir um relacionamento, simplesmente passam a te evitar"

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

História de aeroporto

Quanta pressa para voltar para casa. Cansaço, preguiça, fome, saudade. Vôo atrasado. Passageiro passa mal e aeronave não pode decolar em minha direção enquanto ele não for atendido. Tinha que passar mal? Eu devo ter a sorte de ter tanto azar. O salto já descolou dos pés. Já sentei e já perdi a paciência. Quando estava pronta para desconectar daquela situação, uma senhora me pergunta:

Vai para Salvador?

Diante da minha afirmativa, ela disse que também iria. E eu encerrei o assunto com um:

Legal! :)

Não queria papo, mas ela insistiu:

Estou tão nervosa...

Percebi que ela queria uma escuta e resolvi ficar por ali. Dei o primeiro passo para uma história surreal que eu vou dividir com vocês:

Eu nunca viajei de avião, estou morrendo de medo. E foi só eu marcar a viagem que caiu um avião aqui em Recife, você viu?

Vi, sim, mas ele não caiu. Na verdade, nem chegou a decolar. Foi um problema técnico, na estrutura, não sei ao certo, mas fique calma... É mais fácil acontecer um acidente com a senhora em um ônibus do que em um avião! E, no mais, viajar de avião é tranquilo... É rapidinho, você vai ver! Em que poltrona você está?

Na 24... E você?

Na 22! Pronto, vai ficar perto. Qualquer coisa, você grita!

Tá! Obrigada!!

(alguns minutos depois...)

Não é só medo de avião. Estou nervosa porque estou indo me encontrar com alguém que procuro a mais de 40 anos. Estou indo para Salvador fazer um teste de DNA para saber se somos parentes.

Se são irmãs?

Não, se ela é minha filha.

(me espantei na hora e ela emendou)

Olha a cara dela! (e caiu na gargalhada)

Nossa, que pressão! Até eu fiquei nervosa, quero ver esse encontro! Como foi isso?

Quando eu tinha 12 anos, eu fui violentada e engravidei. Naquela época, gente de interior, minha mãe disse que eu tinha que casar com ele. Ele tinha 60. Me casei e 9 meses após minha filha nascer, ele tentou fazer aquilo de novo, mas eu já estava mais espertinha. Fugi nua para o mato e passei a noite inteira em pé, com cobra passando por mim, bicho me mordendo, imóvel. Quando amanheceu, vi que ele saiu para me procurar. Entrei em casa, vesti uma roupa, roubei minha filha e fui para a casa de minha mãe. Contei a ela, deixei meu bebê lá e pedi dinheiro para fugir para Recife. Quando cheguei aqui, minha mãe disse que ele havia passado lá, pego minha filha e ido embora. Soube que ele dava ela para as pessoas e depois pegava de volta, dava e pegava de volta. Por isso nos perdemos.

E como você achou ela??

Não achei. Minha família, uns parentes meus, estava no interior e a viu, conheceu ela e, após ela contar a sua história, acharam muita coincidência. Contaram para ela sobre mim e trocamos contato. Desde então, ela me liga todos os dias, me chama de mãe, me trata com tanto carinho. Estou indo para lá ver se é minha filha mesmo. Se for, vou gostar. Se não for, tudo bem também. 44 anos... Ela tem 44 anos hoje.

A senhora só tem ela?

Não. Lá em Recife eu encontrei um homem maravilhoso e somos casados. Tive seis meninos com ele. Depois adotei três meninas para ver se preenchia o vazio da minha filha. Nunca funcionou.

Que loucura!! Estou besta com a sua história!



Ela riu, o comissário nos chamou, ficamos em fila, entramos no avião, sentamos e ela foi tranquila para Salvador. Quando chegamos, eu não tinha mala para pegar, pois a minha era pequena e embarcou comigo. Fui saindo pelo portão para procurar meu pai e vi uma senhora com as mãos recolhidas no peito e uma menina ao seu lado, alisando seu braço e dizendo "calma, mãe." Voltei para onde as malas estavam sendo entregues e disse a ela:

Não precisa de DNA, ela é sua filha! É a sua cara!

E ela largou um sorrisão!

O encontro foi lindo! Emocionante! Se abraçaram, choraram. Ela nos apresentou, eu, minha tia e minha mãe, a "suposta" filha e neta! Emoção dupla! Nos despedimos e elas seguiram abraçadas pelo aeroporto. Em direção a uma nova etapa, tenho certeza!


Resta dúvida?


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