domingo, 30 de novembro de 2014

Inferno astral

O mês chega devagar, arrastado, no limite do tempo. Eu sinto sempre, sinto muito. Eu acordo, desperto rapidamente, pois não tenho mais sonos tranquilos. Acordar já é uma sorte danada, fugir do meu inconsciente é uma bênção. A segunda-feira chega tímida, há esperança nela das coisas serem diferentes. Caminho devagar, nos passos e na mente, e tento raciocinar muito pouco. Vou levando até onde posso, não penso demais. No meio da tarde há tédio, embora a manhã passe sempre rápido. O início da noite normalmente me exige muita disposição. Não há mais fonte de energia em mim, eu só estou vivendo. O dia acaba, mas o vazio está lá. O seu ruído é baixo, mas se faz presente. Vou dormir tarde, como sempre. 
Na terça-feira nada me anima. Muitos fantasmas rodeiam meus arrependimentos. Penso pouco ainda, mas já confabulo. E se for isso mesmo que meu coração está pedindo? E se eu não quiser mais fazer isso? A ponta de medo arranha meu estômago. Minhas borboletas já morreram há tempos. Esse dia 03 é angustiante, pois é morno, nada nasce numa terça-feira, nada acontece. Durmo ainda mais tarde. 
A quarta-feira me divide ao meio, assim como faz com a semana. Eu permaneço dividida até o fim. Meus questionamentos já estão barulhentos e eu sei que ninguém me entenderia. O que faz alguém reviver tanto suas escolhas? O que faz alguém duvidar de algo que, pouco tempo atrás, era uma certeza? Em que ponto da vida, ou do descuido, a verdade vira interrogação? Vai embora, quarta-feira.
A quinta-feira é um dos piores dias. A quinta-feira me degola, me deixa pronta para largar tudo, chutar o balde, ir para o mundo, duvidar de tudo. E se? E se... 
Sexta-feira é dia de colo, graças a Deus. A sexta é o meu chá de camomila, meu colchão. Acordo tarde, estendo o dia, ele precisa passar. Choro muito, como sempre. A tarde é pura ansiedade. Quero tanto, mas vejo tão pouco. A noite de sexta da minha semana é um clarão. Ela retira o véu da minha frente, me pede para calar, me exige calmaria, eu quase sempre atendo. Me ver atravessar um turbilhão, todos os dias, é estarrecedor. Como pode alguém, nos seus 20 e poucos anos, ser tão insegura? Talvez seja perfeito mesmo, talvez eu mereça, ora bolas. Mas talvez seja mentira. Talvez seja uma cegueira, talvez seja intuição. 
O sábado é um placebo. Permaneço no efeito colateral da sexta santa. Mas o buraco permanece. Minhas orações me salvam por horas, a complexa comunicação com meu anjo da guarda funciona por minutos, mas basta uma informação para me desabar. Como pode eu, um edifício suntuoso, ter bases tão frágeis? Como sustentar um empresarial de emoções com chão de areia e teto de vidro? 
O domingo é zona pré-sal. O domingo é de uma agonia abissal barulhenta. É música velha tocando alto, é reviver velhas coisas, pensar muito, muito. Tomar decisões e voltar atrás. É deixar o barco tocar... É pensar em naufrágio e desistir da tripulação. É ser vento na vela. Maré baixa.
Talvez por isso eu escreva com tantas metáforas. Para ninguém me acompanhar mesmo. Eu sou um dicionário em mandarim no meio de uma guerra. Não quero que me leiam, quero que me observem. Sou ilegível e não sei ser diferente. Em mil anos, vão me achar empoeirada e vão me leiloar para um colecionador. E ele vai dar valor às palavras que eu joguei ao vento. Eu espero.

sábado, 16 de agosto de 2014

Não fuja dos milhos.

Quando tomamos decisões acertadas, o coração avisa. Ele libera um ventinho de conforto que corre todo o nosso corpo e abre um sorrisinho singelo. A gente entende, quando escolhemos o caminho certo, pois Deus ilumina o cantinho da nossa alma e a gente sente esse colo. É um calor interno acalentador, a gente sente isso. Eu senti. 

A gente senta para escutar com o espírito, a gente olha no olho, esvazia os pensamentos e percebe o outro com importância. Nessa hora, temos acesso a informações valiosas que se estivéssemos respondendo mensagens no celular enquanto fingimos que ouvíamos nunca perceberíamos. Nessa hora há um click e você se percebe vivendo. 

Você, em um dia especial, escolhe ouvir o sermão de um mestre e o internaliza. Você sente aquelas palavras, bebe aquelas palavras, se banha naquelas palavras e se emociona. O corpo chora por concordar, por obedecer, por assentir aquele direcionamento. Quem já passou por isso sabe o quanto esse momento é especial!

Ouvi ontem sobre o quanto estamos despreocupados com o que sai das nossas bocas. O quanto nossa fala está pobre, desmerecida, crítica e rasa. Somos bebês aprendendo a engatinhar, mal sabemos falar. Quantas vezes você colocou tudo a perder com uma palavra mal dita? Quantas vezes você não pensou para falar e foi inconveniente? Desrespeitoso? E quantas vezes você percebeu o erro e optou por não consertar?

Por todas as vezes que meu orgulho emudeceu minhas desculpas, me arrependo. Por todas as vezes que meu orgulho travou minhas pernas, me arrependo. Por todas as vezes que meu orgulho travou meus braços, me arrependo. Mas não me culpo, há a redenção. 

O Deus de alguns que castiga, em nada se assemelha ao meu que perdoa. O meu Deus me dá oportunidade para crescer, me ensina como caminhar e me dá, todo dia, uma nova chance. Ele me mostrou um caminho de luz pessoal, me levou pelo braço para uma casa de esclarecimento e eu venho aceitando todos os ensinamentos com humildade. 

O que somos nós sem direcionamento? 

Eu descobri uma coisa nesses últimos tempos. Aquele velho clichê de que colhemos o que plantamos é o que norteia nossas vidas. Parar para ouvir nossas reclamações é reconhecer nossa ingratidão de estarmos vivos. Chorar pelas dificuldades que enfrentamos é cuspir na confiança dos nossos superiores em relação a nós mesmos. Parar de reclamar, é uma lição que eu venho tentando, com fadiga, exercitar.

Quando plantamos uma semente, germina o que nós regarmos. Se plantamos uma sementinha de flor, nasce uma muda. Em um grão de milho plantado, quantos são reproduzidos por uma espiga? Prepare-se para o que você vai colher. Não tenha medo dos frutos que a sua árvore te dará. Fé!

sábado, 2 de agosto de 2014

Põe no outdoor.

Eu quero que anunciem que algumas sombras abatem meu sorriso, mas meu amanhecer não cansa de me acordar. Eu quero que anunciem que eu sempre fui uma boa menina e que isso nunca teve a ver com os outros, eu sempre me decepciono, mas Deus fez meu coração de material reciclável. Anuncie por aí que quem me viu ajoelhar, nunca vai me ver esmorecer, que meu lado exterior nunca deu liberdade demais para um mergulho nas minhas profundezas, pois eu sou poça para quem não me acrescenta e mar aberto para os meus nomeados. Anuncie, também, que quilinhos a mais na minha silhueta, rosto abatido ou lágrimas que me denunciam nunca vão me resumir. Eu quero que digam por aí que eu sou uma guerreira do silêncio, minhas guerras são vencidas no argumento, eu não mostro o corpo para me apresentar. Quero que todo mundo saiba que o tamanho do meu universo é inatingível até para quem divide um cômodo comigo e que a imensidão dos seus julgamentos jamais manchará a minha verdade. Mas não esqueça de avisar que eu também sou insegurança, que eu confio nas pessoas erradas e dou ouvido ao que me diminui. Eu escolho a roupa errada, exponho minhas celulites, dou pitaco incoveniente e perco amizades. Até me perco, às vezes, mas nunca tive a preguiça de me procurar. Gritem por aí que eu sou muito mais que um olhar atravessado e que eu não me obrigo a trocar energias incoerentes. Eu só ando com quem eu gosto, não sou de pirraça. Grite que eu sou espiritualizada e que quase ninguém vê meus rituais de fé, só a parte que importa. Coloque em um outdoor que eu sou muito mais do que sua indiferença consegue ver, que eu quero ser mãe e que sou extremamente amorosa, apesar de não concordar que todos devem ser tratados bem. Escreva aí que as pessoas que eu conquisto não tem nada a ver com você e não esquece de grifar que o que eu alcanço é muito longe pra você. Por fim, fale em segredo, bem baixinho, que eu sou humana, que eu em nada me assemelho a um pedaço de papel em branco. Minhas bagagens são mais valiosas que pesadas e meu caminhar quase não deixa pegadas. Só me segue quem eu chamo, jamais quem me vê, simplesmente, passar. Viu? Eu já me perdi de você.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Eu sempre disse sim.

Um dia eu disse sim para a coragem. Virei a página de uma história banal para dizer sim para mim. Dizer sim, vou correr o risco e, sim, eu me responsabilizo. 

Eu disse sim para a imagem distorcida que se revelava de você. Eu disse sim para os seus defeitos, ainda que em todas as nossas brigas eu aja como se nunca tivesse dito sim. 

Eu disse sim para essa nova escrita embolada de uma história estranha de amor. Eu disse sim para a diferença de idade, tão insignificante hoje. Eu disse sim para os seus cabelos brancos e para seus fracassos amorosos anteriores. Eu disse sim, eu vou curá-lo.

Eu disse sim para esse medo que varria como vassoura velha meu coração doente. Eu disse sim para todos os arranhões. E disse sim para essa coisa torpe que parecia não dar em nada. Eu queria viver e vivi. Eu disse sim, ele vai me curar.

Eu gritei sim para nossas maiores brigas e as escolhi para serem minhas. Eu disse sim para os seus sonhos e os encaixei nos meus cochilos vespertinos. Eu disse sim para suas perdas e seus defeitos tão dolorosos em mim. Eu disse sim para a cruz e para a coroa de espinhos. Eu queria ser sua fé, seu lar doce lar. 

Eu disse sim quando você me revelou suas lágrimas e disse sim para nossa vontade de ter filhos. Eu disse sim para todos os dias que nos fizeram repensar, pois foram eles que nos impulsionaram para o dia seguinte. Eu disse sim para a dúvida e vivi a insegurança para, só depois, dizer sim à certeza da nossa verdade.

Eu disse sim mil vezes em minha mente. E muitas vezes você não as escutou. Eu senti o sim duas mil vezes e profanei o não. Eu senti muito por isso. Eu resgatei o sim.

Eu disse sim para a milésima tentativa e disse sim para mil lágrimas seguidas. Eu disse sim para a escolha e para o caminho espinhoso que eu teria que seguir. Eu disse sim para todo o esforço, para as renúncias e os ajustes.

Eu escrevi o sim muitas vezes nos nossos votos sentimentais de um matrimônio futuro. Eu pedi o sim com o olhar todas as vezes que sua voz firme me dava um não. 

Eu digo sim para você, pois sua imagem é afirmativa. Eu digo sim para você, pois ainda estou aqui. Meu sim é de ouro, guarde-o amarrado, amordaçado, exposto a todos os seus nãos, para que toda vez que uma negativa quiser enlamear nosso rio de leite do paraíso, ela se depare com o meu sim furtivo e esmoreça na fraqueza da sua falta de energia. 

Aqui só cabe sim; Sim pra mim; Sim, é você.


sábado, 24 de maio de 2014

Eu sou interesseira


Eu sou uma pessoa totalmente interesseira.

Quando eu olho para alguém ou ouço histórias ruins sobre uma pessoa, eu logo penso: "Não quero ser amiga dela" E, normalmente, não sou mesmo. 

Não adianta o falso sorriso, o aperto de mão forçado ou os dois beijinhos convenientes durante um encontro casual em qualquer lugar da cidade. Não adianta, moça, eu não vou me convencer. Eu só quero quem conhece a verdade e trabalha pra ela. Eu só quero quem olha de frente, detesto quem olha de canto. Eu só me interesso pelo sabor da tranquilidade de uma conversa do bem. Essa coisa mesquinha de falar por educação não presta! Sempre vou partir do pressuposto de que eu falo com quem meu coração quiser. E meu coração não quer gente como você!

Eu não ligo para signo, eu confio em escorpianos, por exemplo, apesar de todo mundo dizer que eles são falsos. Minha amiga mais antiga é de escorpião, ou seja, eu não ligo mesmo. Mas eu ligo para gente que não gosta de bicho, por exemplo. Ou melhor, eu desligo na cara! Não gostar de animais, para mim, é inversamente proporcional a ter um bom caráter. Acontece o mesmo com quem não gosta de crianças. Aí eu vasculho, pergunto ali e aqui para saber melhor. Sabe como é, né... Eu sou interesseira.

Sabe o que mais? Eu não gosto de gente que fala alto demais. Eu gosto de gente que conversa direito e, quando a conversa beira o rumo do humor, o tom sobe mil decibéis por conta das risadas!! Aí eu gosto! Mas gente que grita me bate o maior preconceito... Gente que quer aparecer mais do que a noiva, que quer roubar a atenção do namorado da menina, que quer posar disso ou aquilo, que divulga vida perfeita no instagram. Esse povo me dá calafrios. Aí eu fico observando... Eu fico medindo tudo na primeira impressão para ver se vou querer aquela pessoa na minha vida. Normalmente, eu não quero, mas quando alguém me interessa eu acho, mesmo, que descobri uma mina de ouro! Aí eu carrego água no cesto para essa pessoa nunca ir embora e gostar muito de mim. Sabe como é... Gente interesseira.

Ih... Eu quase nunca gosto de quem tem muitos amigos. Aquela máxima de que quem tem muitos amigos, não tem nenhum, é uma filosofia de vida para mim. E todas as vezes que eu me interessei em adicionar alguém na minha vida, essa pessoa sempre tinha poucos e MARAVILHOSOS amigos. Isso não pode ser coincidência. Essas pessoas são raras de se encontrar e de se conquistar. São leais aos seus, isso me encanta! Portanto, eu digo não a quem tem mil amigos no facebook, é seguida por dez mil desconhecidos no instagram só para ter curtidas, ou tira foto com uma galera diferenciada a cada fim de semana e não deve conhecer a mãe de nenhum deles, tenho certeza! As mães dos meus amigos são figuras! Tem Rai, dona Neuma, Tia Clotildes, Tia Bárbara, tem os irmãos das amigas que tiram sarro da gente ou que viram nossos amigos, tem os primos e tem os amigos que nossas mães consideram filhos! Gente assim eu quero pertinho!

Aí, no fim, eu sempre faço parte das emburradas. Palavra essa que eu nunca entendi direito. Parece uma pessoa que está burra momentaneamente, só por estar de cara fechada. Eu entro no recinto neutra, meus sorrisos são tão valiosos que é muito raro eu presentear alguém com a minha sinceridade aberta. Eu vejo quem está lá, eu vou tateando o local, fazendo um raio-x das pessoas e vendo onde vou me sentar, com quem eu quero conversar. E se só for um vão com idiotas, me sentarei comigo mesma e iniciarei meu Minions Rush feliz da vida atrás de baçãs. 

Sempre tem alguém que me julga anti-social, emburrada. Burra é você! Eu sou interesseira. E você não me interessa :)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Aceite.

ACEITAR, essa talvez seja a iniciativa mais libertadora que há para se tomar na vida. 

Aceite que por mais que doa em você uma palavra, uma atitude ou uma despedida, o outro jamais terá acesso a isso ou compartilhará na mesma medida. Seu coração tem uma impressão digital que é só sua, ninguém sente o que você sente, você não sente o sentimento de ninguém.

Aceite que qualquer relação é feita do que você sente pelo outro. Isso talvez nos faça entender o motivo de algumas pessoas permanecerem em namoros/casamentos falidos. Enquanto eu amo o outro, eu estou ali. Não importa se ele não me ama mais, é o que eu sinto que sustenta. E é assim com todo mundo. É a tal da impressão digital do coração...

Aceite que sua família jamais fará o que você queria que ela fizesse, ou agirá de acordo com os seus planos. A família desaponta, mas saiba reconhecer que ela é a única que sobrará quando nada mais fizer sentido. "Mãe é mãe" silencia qualquer mágoa e é eficaz contra dúvidas.

Aceite que os outros jamais se compadecerão totalmente das suas lamúrias. Suas quedas podem ate ser amparadas por bons amigos, mas ele vai almoçar na hora de sempre e assistir a novela, enquanto você chora até emagrecer. Isso é normal. Não espere que alguém ajoelhe com você na sua fé. Essas pessoas são como anjos da guarda, nem todo mundo tem a sorte de sentir suas presenças.

Aceite que uma música vai te remeter a uma história mal resolvida. Que ela vai te fazer lembrar do que você tentou esquecer e que ela é o portal mais seguro para o passado. Mas lembre-se, também, que ela é a cura. Tenha sua lista pessoal para chorar. É muito mais eficaz que uma boa dose de remédio para dormir. Não a culpe pelos seus efeitos. Você vai agradecê-la na hora certa.

Aceite que confiar totalmente em alguém não significa que ela nunca fará nada para te magoar. Eu confio totalmente em você, mas isso não significa que você andará na linha, não é mesmo? Mas confie, mesmo assim. E confie sabendo que você não confia 100% em ninguém. Mas é em ninguém mesmo! O máximo que chegamos é 99% e esse 1% é seguro, normal e saudável. É ele que vai sustentar seu corpo quando a mentira te boicotar.

Aceite que TODOS os sentimentos negativos que chicoteiam sua fé no próximo só te atingem se você permitir. É compreensível que a tristeza abrace forte seu corpo incrédulo, mas é vergonhoso deixá-la conduzir seus pés. Não há ninguém no mundo que possa fechar sua porta para o mundo, a menos que você dê a chave. Ninguém merece sofrer no lugar de um outro ou pagar por algo que não fez, não faça isso com ninguém. Mas também não se deixe substituir uma velha insegurança. Novas histórias só podem produzir novos livros. Plágio é crime na vida também.

Aceite que alguns dias serão péssimos. Não desconfie dos bons. De vez em quando nos enviam oportunidades muito distintas de sentir na pele o quanto a vida é maior que aquela briga de ontem ou a chateação na fila do banco. Respire a mudança, respire a segunda chance. É muito injusto que um dia maravilhoso seja alvo do seu lado negativo que sopra em você a insegurança do que virá.

Aceite coisas que você não pode mudar. Isso é FUNDAMENTAL. Aceite pessoas que nunca ouvirão seus conselhos, é um direito delas. Aceite pessoas que não conseguem penetrar no que você sente e ficam ali, no raso das suas palavras. Elas jamais vão mergulhar no seu mundo, pois não aprenderam essa habilidade. A zona abissal de todo mundo dá medo. 

Aceite pessoas que não se colocam no lugar dos outros. Talvez jamais tenham se colocado no lugar delas.

Aceite a morte como renúncia. Aceite a saudade como lembrança. Aceite a dor como prova. Aceite o amor como fé.

Mas jamais aceite uma injustiça. Jamais aceite ficar imóvel diante de algo que você pode mudar. Jamais aceite que desconstruam seu melhor lado. Jamais aceite que alguém te ensine o caminho do mal ou, pior, que te convençam da idiotice que é seguir o caminho do bem. Ninguém é idiota por acreditar no outro. O nome disso é caráter. Aceite o seu.


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