domingo, 29 de dezembro de 2013

Você não é quem eu pensava.


Eu, provavelmente, espero pelo príncipe encantado desde que assisti a primeira cena de amor na televisão. Sempre quis que surgisse um homem na minha vida que me trouxesse tranquilidade e paz de espírito, que me aceitasse como eu sou e que gostasse das coisas que eu gostasse, assim poderíamos viver uma vida harmoniosa. Sempre sonhei em ter um companheiro que me entendesse só com o olhar, que tornasse as discussões mínimas e que fosse meu melhor ouvido, que compreendesse todos os meus chiliques e me amasse antes de qualquer coisa!

Aí veio você e você não é quem eu pensava.

O homem da minha vida nunca me trouxe tranquilidade. No máximo, uma barra de chocolate que, provavelmente, eu teria que dividir com ele. Ele é totalmente o oposto de mim e isso me tirou completamente da minha  zona de conforto. Ele não me aceita como sou, ele me impulsiona a ser diferente de um jeito importante. Ele me diz que preciso mudar, ele me mostra, em silêncio ou em um olhar de reprovação, onde precisa sofrer reajuste, e ele quase sempre está certo. Não há quase nada, além de cachorros, que a gente goste em comum. Mas ele assiste filmes de terror e programas sobre vestidos de noiva só para me acompanhar e eu aprendi a adorar UFC e basqueteiras. A gente não se mistura, nem temos os mesmos amigos, mas a gente aprendeu a  conviver e os meus amigos e os deles acabaram virando nossos de um jeito ou de outro. Não há harmonia na nossa rotina. Há muitas brigas, discussões e arrependimentos. A gente se arrepende por amar demais, mas amar demais nunca foi um arrependimento. Parece até que eu falo grego! É impossível pedir que ele me entenda só com um olhar, principalmente se ele estiver irritado. Mas quando sua raiva passa, eu recebo um abraço. Sempre. E eu ouço "eu te amo". Sempre. Ele detesta meus chiliques e até me deixa falando sozinha. Aí eu aprendi que ele tem razão quando diz que certas  coisas simplesmente não valem a pena. Aprendi, também, que eu posso melhorar alguns pontos, mas nunca deixarei de ser eu. E foi no desespero da possibilidade de perdê-lo para as escolhas que descobri que a vida sem ele existe, apesar de menos colorida. Aí eu descobri que a vida em preto e branco não era para mim e resolvi reformular o meu estereótipo de príncipe encantado. Percebi que viver sem ele não podia ser uma tragédia, apenas uma escolha, o que dá leveza a tudo. 

Eu sinto que ele me ensinou, sem querer, a viver sem sua presença constante. E isso dilacera meu coração, mas me endurece para o futuro. Não que eu queira um companheiro que não está, mas aprender que eu, sozinha, também construo castelos é fundamental.

O meu príncipe encantado tem cabelos brancos e um carro surrado. Ele não tem hora para dormir e quase sempre se atrasa. Ele não tem paciência e diz que não há razão para tantas inseguranças. O meu príncipe não saiu de um conto de fadas qualquer, ele saiu do conto da vida e me mostrou que há beleza na diferença, pois é no sofrimento de um quase fim que a gente acha força para continuar.

Eu que antes era um punhado de sal em um copo d'água, onde toda golada de impulsividade me rendia dias de sofrimento, agora sou o mesmo punhado jogado em alto mar. Há bem menos exagero na minha forma de viver ou de reclamar a vida. Quando saímos do copo para o mar aberto, percebemos a grandeza das extremidade, o quão grandiosa é a vida e quanta coisa há na nossa história que dá sentido a tudo. Não é preciso se prender em poucos mililitros, jogar-se nas ondas é a libertação. 

Deixar de ser copo e virar mar. Não há punhado de sal jogado em mim que não se dissipe com facilidade. A minha água não se contamina mais tão facilmente. Pode tentar!

Eu que antes jogava fora na menor das divergências, hoje quero consertar.

Você não é quem eu pensava e eu não vou te pedir para não mudar. Eu quero conviver com essa montanha-russa de mudanças e aprendizados para, também, nunca estagnar.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pense com carinho


Pense com carinho nesse ano que passou. 

Pense com verdade e seja honesto com sua memória. Eu espero.

(...)

Lembre dos seus erros ou, pelo menos, os mais graves. Ainda dá tempo de consertar tanta coisa. Ainda dá tempo de interceder! Ainda dá tempo de pedir perdão e de olhar nos olhos. Dá tempo de voltar atrás, de alcançar. Dá tempo de reconstruir, de sarar com beijinho. E daí que já passou muito tempo? Se você ainda lembra, aquela pessoa também deve lembrar. 

Lembre dos seus amigos. Lembre daquele irmão de vida especial. Resgate, em slow motion, aquele sorriso compartilhado, aquela tarde tão ordinária com seu melhor ombro. Lembra daquele segredo? Da primeira vez que você o compartilhou? Ele permanece seguro? Que bom, você tem um amigo! É mesmo uma bênção essas companhias, não é? Sorriso!

Lembre do seu amor. Você já o desculpou? Você já se entregou até ser levada pelo vento? Você já pensou que todas as chances de perdê-lo estão por aí? Sabe aquele dia que você cedeu? Sabe aquela vez que você lembrou do tamanho do sentimento que intenciona para alguém e isso foi suficiente para cessar uma discussão? Sabe quando estar certo ou errado é bem menos importante do que ficar bem? Isso é ouro.

Lembra da sua fé? Lembra daquela vez que você chorou sozinho? Aquela vez que a voz da desistência era muda diante do grito da perseverança? A gente consegue, não é? Lembra do frio glorioso que arrepiou sua pele cansada quando você se ajoelhou para pedir força? Era a sua fé te lembrando de viver. Tenha fé em você e no que virá! 

Lembra da sua família? Aquela que faz a lasanha queimada de domingo ser o pico da semana! Que assiste com você a novela das 9 brigando com todos os personagens como se isso fosse resolver! A sua família que te proibiu de ter o primeiro cachorro por causa das alergias e que limpa, mesmo reclamando, a sujeira do pandemônio que você chama de quarto!

Lembra da sua primeira babá? Lembra de como ela te olhava? E de quanto amor existia na relação de dois estranhos? Ela ainda existe na sua vida? A minha, sim! Lembra dela! Se não puder fazer contato, emana amor. Ajuda tanto...

E da escola? Lembra da sala de aula? Da segunda casa com cara de bagunça? Lembra dos colegas e professores? Dos funcionários que faziam piada, que emprestavam livros e serviam café! Lembra das provas de sábado e como achávamos que a vida era difícil? E agora, o que acha dela?

Lembra dos seus sonhos. Quantos deles ficaram para trás? De quantos você desistiu? Ainda resta algum? Plante-os! 

Lembra das coisas boas, equilibra, agora no finalzinho, esse ano inteiro de mágoas e acontecimentos, de conhecidos e de rompimentos, de bares, rodas de conversa e despedidas. Puxe FORTE todos os aprendizados. Não persista no erro, ele te atrasa. Tenha olhos de compaixão. Seu abraço vale ouro! Sinta empatia, isso te diferencia. Seja amigo. De verdade! E seja amor.

Um fim de ano mais do que especial para vocês. Um fim de ano sendo o que se é!

Isa.


sábado, 26 de outubro de 2013

Amor à vida... Tem certeza?


Eu adorava a novela Amor à Vida - sou noveleira mesmo - mas de uns tempos para cá ela vem se tornado ridícula!! Existe uma homofobia velada na trama que transforma "milagrosamente" todos os gays em machos pegadores! Até Félix, o mais afetado do elenco homossexual de personagens, volta e meia dá umas pegadas na ex-atual esposa e cairá, mais tarde, nos braços da médica. Heron, o gay casado, após anos de relacionamento cai de amores por uma médica HIPÓCRITA, extremamente desequilibrada e a trai, sem pudores, em sua própria casa. Fora a exagerada parcimônia daquele Bruno, marido de Paloma, que é tão macho e correto em 90% da sua vida, mas não consegue dar uma dura resposta à altura das investidas de Aline, a feiticeira, e fique parecendo um adolescente quando a madrasta da esposa banca o mulherão. Pera aí, né??? E Pilar? Eu não duvido nada que após todas as maldades de Aline, César volte como vítima para a mansão dos Cury e Pilar estará lá, submissa, traída e orgulhosa pelo retorno do provedor. Sem contar com a pobre da Perséfone, que vive a vida de uma "gorda frustrada" que entrou na vida adulta completamente virgem. EM QUE MUNDO ESSE POVO VIVE? Aí ela encontra o tal do príncipe, que aceita, em menos de um mês, o conto de fadas fake que ela propõe, casa com a mulher que ele nem cogitava ter algo a mais e, em três dias, já está arrependido e quer que ela vire magra. Príncipe esse que enfrentava todos os preconceitos que sua irmã Linda, uma autista, vivia e peitava todos que duvidavam de sua capacidade ou a inferiorizavam. ESSE príncipe não consegue lidar com uma esposa acima do peso? JURA? As piadinhas são PIORES do que a discriminação que sua irmã sempre viveu? Não concebo! E ontem foi o estopim, para mim! A querida enfermeira, mãe do palhaço QUE É UM PALHAÇO MESMO, apresentaaaaaando maquiagem para pacientes com câncer. O que eles querem dizer com isso? Que eu saiba, mulheres que são acometidas por essa doença não tem sua capacidade cognitiva atingida. Elas não sabem o que é um blush?? Como e onde passá-lo? 

Tem a tal da Tetê que é a contradição em forma de mulher. Obriga a filha a casar com o "milho" e, mesmo vendo sua cria aos prantos por amar outro homem, bate o pé que um dia ela se acostuma com a vida que ela escolheu pra ela. Em compensação, não larga seu Gentil. Um "mendigo", com os bens todos congelados, cafajeste, mentiroso. E o principal: quer ele com ela, vendendo hot dogs, grita para quem quiser ouvir que não quer o seu dinheiro, muito menos que ele a sustente, pois "comprou a casa com o seu próprio suor e tem muito orgulho disso". OI?

E a filha de 1820 do dono do bar? A santinha da atualidade. A mulher burra véia, com a mãe mais rodada que noticia ruim, cheia de segredos familiares! 

A novela toda é um exagero. 
Ensina que os gays tem "cura", basta uma super mulher cruzar o seu caminho.
Ensina que as mulheres precisam colocar a estrutura de um casamento antes do que tudo, até dos seus princípios. E que não importa se o seu marido a traiu com sua secretária, a engravidou, largou você depois de uma transa e casou com ela. Você deve ter a esperança do seu retorno e se sentir grata caso isso aconteça.
Ensina que estar acima do peso é a pior coisa que pode acontecer com você.

EU SEI que novela é ficção. Que os autores tem todo direito de criar o que quiserem, mas eu me preocupo pelo poder de persuasão das tramas que assistimos em pessoas mais desavisadas. Tem gente que acredita naquilo, que segue, que se inspira. 

Aí eu te pergunto... AMOR À VIDA? Me apresente alguém ali que ama a vida que tem. 

Pois é, ninguém.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pelo direito de falar


"Você está me analisando?"

Há cinco anos eu adentrava uma sala de aula e dava meus primeiros passos rumo à psicologia. Por cinco anos, me dediquei completamente a uma profissão que me enchia os olhos. Eu sentia orgulho de pensar que, em alguns anos, eu me tornaria um deles. Estudava com afinco todos os livros que me passavam, todos os textos e artigos científicos. Fiz todas as provas e trabalhos visando tornar-me aquela que teria o dom das palavras. Eu lapidei minha mente, treinei meu respeito ao próximo, quebrei milhões de barreiras, tudo isso para olhar para os outros com mais curiosidade, menos julgamento. Eu estreitei minha relação com os amigos e com minha família. No fim da jornada, eu me sentia realmente preparada, pelo menos para começar.

Formada, eu ouvi diversas vezes falas tão chatas ao meu respeito. Eu acredito, de verdade, que muitos profissionais de outras áreas sofrem alguns preconceitos, mas com nós, psicólogos, o buraco é tão embaixo que eu sequer entendo de onde ele possa vir. Ou até entendo, mas prefiro fingir que não o vejo.

Eu já ouvi dentistas falando que em casamentos sempre tem alguém que o aborda para dizer que está com uma dor no dente há meses "o que será que deve ser?", perguntam entre uma drinque e um bem-casado. Já conheci médicos que não revelam suas profissões em uma roda de bar para que não se inicie aquela velha e chata consulta coletiva. Ou até os pobres advogados, sempre recebendo ligações de queridos amigos com dúvidas sobre uma lei ou um processo. Eu entendo essa chatice, mas percebo que todos pecam pelo excesso. Eles confiam em seus cargos e querem que façam hora extra.

Com os psicólogos é diferente.

Percorremos um longo caminho e aprendemos sobre o poder da cura pela palavra. Somos treinados, como em um exército, a apurar nossa escuta e dar um valor absurdo a tudo que é dito. Somos ensinados a interpretar, a nunca entrar em contato com o sofrimento do outro de maneira irresponsável. E o que acontece quando descobrem que somos psicólogos? A censura.

Eu sinto um extremo pudor de alguns em ter uma conversa informal comigo e fazem a célebre pergunta "você está me analisando??" quando emito uma opinião, como se isso fosse um crime. 

SIM. Eu, como psicóloga, provavelmente vou analisar o que você está me dizendo. É isso que eu faço! Foi para isso que eu estudei. Assim como você nunca fará um exercício errado na academia sem que um educador físico o corrija. NÃO. Isso não significa que estou te colocando em uma terapia-forçada-temporária. Isso só significa que minha opinião sobre o que me dirá nunca será preguiçosa. 

No início, me sentia mal por ouvir: "Deus proteja quem namorar uma psicóloga!". É tão ruim assim conversar com alguém que realmente goste dessa atividade? O receio que alguns tem de que eu os analise me parece sintomático e, sim, estou analisando eles agora. 

Não me sinto responsável pela melhora de ninguém, mas se você, meu caro, sentar ao meu lado e quiser conversar, não posso te ouvir despida de quem eu sou ou de quem me tornei. Eu sou uma psicóloga e meu ouvido não é uma peneira: tudo que passa por ele vem no grosso, com mil sequelas, e eu me interesso por todos os detalhes.

Realmente, eu admiro quem se aventura a conviver com uma psicóloga informalmente. De fato, temos resposta para tudo e - normalmente - dominamos a arte da fala e da conversa. Mas você já parou para pensar que pode ser muito interessante conviver conosco? 

Não somos alienígenas nem leitores de mentes! Não temos intenção nenhuma de piorar uma situação ou prolongar uma discussão. Nos deixe falar! Muitas vezes reconhecemos que a melhor opinião é o silêncio. Nós também sabemos calar.

Não quero, com esse texto, atestar nenhum nível de superioridade da classe. Falo por mim, pelas minhas experiências. Não é ruim ter uma namorada psicóloga, ou uma amiga, filha, prima, o escambal! Aproveitem a oportunidade como todos aproveitam de outras profissões por perto. Eu também sei dar opinião informal, também sei ser amiga, namorada, filha e uma ignorante. Eu não sei ser SÓ psicóloga.

"Será que eu sou maluco?" "Você acha que ele é psicopata?" "Ela é bipolar, né?"

Todas essas perguntam só podem ser respondidas com acompanhamento. Todo psicólogo que respeite a profissão sabe que não é possível analisar ninguém pelo depoimento contagiado da mídia, por exemplo, ou após uma simples discrição de um caso na pizzaria. Eu quero poder abrir a boca sem que ninguém me veja do outro lado do divã, com um caderninho, exercendo a caricatura de algo que eu não tenho a pretensão de ser. 

Antes de ser psicóloga, eu sou Isadora. Também tenho opiniões com base no que eu vivi, no que eu experimentei, e não apenas no que li em livros ou exerci em terapia. Então...

"Eu posso falar?"

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Síndrome do ninho vazio: a visão de um passarinho


Algumas planejaram por anos, muitas outras receberam de bom grado a surpresa. Muitas delas, sozinhas, ajeitaram todo o ninho com os melhores galhos, escolheram uma bela árvore e pediram sabedoria para uma perfeita estruturação. Outras, acompanhadas – seja lá de quem -, receberam uma ajuda extra e conheceram a gratidão. 

Todas elas rezaram, dia após dia, para a chuva não ser torrencial, para o ninho aguentar firme, para o vento não balançar tanto a árvore que os abriga e para as suas crias ficarem invisíveis às águias da vida. 

Quanto às asas, essa não foi uma parte racional. Toda mãe pássaro que se preze sonha com uma asa de anjo nos seus filhotes. Toda mãe pássaro pensa em um perfeito voo livre, mas, por favor passarinho, retorne ao ninho. Não precisa ser imediatamente, nem hoje ou amanhã, mas precisa ser algum dia. 

A mãe pássaro que ama seu filhote mais do que cada pena que brotou no seu corpo pequeno, penas essas que a ajuda a acompanhá-lo nos ares do destino, um dia ensina ele a voar. Mas a mãe pássaro nunca sabe o quanto seu filhote vai alcançar. 

Boa parte deles só sabe voar ao redor do ninho. Eles vão apenas até onde os olhos de sua mãe conseguem alcançar. Mas há uma parte desses passarinhos que precisam ir mais longe. 

Há alguns passarinhos que foram criados por mães grandiosas que não sabem o quanto impulsionam seus voos. Quando dão por si, não há mais sinal do seu filhote. Eles voam em uma linha reta, olhos fixados e asas firmes, enquanto suas mães ficam para trás, recolhidas no ninho agora vazio. 

Mamãe passarinho, acalenta seu coração. Eu sei que o frio na espinha é de preocupação, que o coração gelado é tanto zelo destinado ao ser super amado. Chora não, mamãe passarinho, seu filhote está voando alto e foi você que ensinou cada batida de asa. Chora não, mamãe passarinho, que sua cria foi crescer no mundo porque você acreditou nele mais do que todo mundo. Foi seu sopro de coragem que o fez voar. Então não chora, dói no passarinho vê-la esconder-se no ninho. 

Um dia, mamãe passarinho, o seu filhote voltará e pousará com perfeição na beirada da sua casa e você irá recebê-lo para um café, enquanto escuta as histórias que só ele passou. Perceba, mamãe passarinho, que você o preparou muito bem e que o seu ninho, antes esvaziado pela saudade, agora é palco para um artista da vida. Aplauda o seu passarinho que não se enganou com os lobos da floresta, que por mais feia que fosse a paisagem embaixo de suas asas, nunca se deixou levar e continuou seu voo em busca da felicidade. 

Hoje, o seu passarinho segue vida quase sozinho. Não totalmente, pois você está nele. No jeito que ele varre o seu próprio ninho, no jeito que ele escolhe as pessoas que deve se relacionar e no jeito que ele pensa sempre em você diante de uma adversidade: “o que minha mãe faria ou me diria para fazer agora?”. 

Mamãe passarinho, o seu ninho, na verdade, nunca esteve vazio, foi você que se deixou esvaziar. Não deixe escorrer pelos olhos o orgulho que serve para inflar seu peito. Olha só que belo passarinho você criou! 

Para os passarinhos que voaram cedo demais, para os que decidiram ficar, para aqueles que estão na presença da mamãe pássaro e para aqueles que viram a vida levá-la antes de estarem prontos, o ninho, agora, está internalizado. Dentro do seu peito mora um emaranhado de galhos finos que servem para proteger a sua coragem diante da vida. Explore-o com cuidado, saiba como utilizá-lo, não desfaça o seu ninho. Afinal, é preciso saber sempre para onde retornar.

Um beijo,
Passarinho.


*Minha crônica publicada na primeira edição da revista ABRE ASPAS, Riachão de Jacuípe, sobre mães que vivem a saudade dos filhos que vão estudar nos grandes centros urbanos.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eu sei...


Eu sei que é amor, pois você é um sorriso certeiro quando olho em volta a procura de apoio. Eu sei que é amor, pois você me faz caminhar junto com a verdade. Eu sei que é amor, pois minha vida tornou-se muito mais feliz depois de você. Mais leve também. Eu sei que é amor, pois você transformou tudo que era errado em certo e soprou um pó mágico de realidade em todos os meus sonhos. Eu sei que é amor, pois sinto gratidão quando percebo o sentimento que encontrei em você. É você que sustenta meu frágil edifício, que não me deixa cair e que me acompanha retirando do meu caminho todos os véus que tentam me cegar.

Eu sei que é amor, pois você é a minha força quando estou fraca. Todas as vezes que eu não consegui falar, você foi a minha voz. Todas as vezes que eu não pude enxergar, você foi meus olhos. Só você vê o melhor que há em mim e eu só quero mostrá-lo a você. 

Quando eu não alcanço, você me ergue. Eu tenho esperança porque você acredita! 

Hoje eu tenho asas que você me deu. É com elas que eu consigo voar. Quando você segura a minha mão, eu fico mais perto de Deus, pois quando eu perdi a minha fé foi você que a trouxe de volta para mim.

Quando alguém ama a gente, é fácil reconhecer. Aquele que te ama, não escolhe suas estrelas, ele te faz acreditar que absolutamente todas estão ao seu alcance. Aquele que te ama não te aplaude quando você cresce, ele te ajuda a ficar em pé. Você se sente especial por ter ele em sua vida, se sente realmente grata por merecer sua companhia. Talvez não saiba exatamente o quanto, mas sente o vento de bênção que arrepia sua alma quando ele chega.

Se você sentir isso por alguém, se existir alguém assim na sua vida, não o deixe seguir sem saber disso tudo. A gratidão é um sentimento onipresente, que não tem preconceitos, nem hora para chegar. Isso serve para o amor entre amigos, entre namorados, entre familiares e conhecidos. Dedique a ele essa prece:

"Por você dedico a minha vida a fazer o bem, pois por você quero ser melhor do que eu já fui. Obrigada por passar por mim feito vento de carinho. Obrigada por ser a luz que me impede de conhecer a escuridão. Obrigada por ser a minha inspiração e por me conceder a honra de ter o seu amor brilhando na minha história. Em meio a tantas mentiras, você é a minha verdade. O meu mundo é muito melhor porque você riscou seu nome nas areias do meu destino. Não me deixe nunca padecer sob as injúrias dos meus inimigos, nem fraquejar diante das falsas línguas que me chicoteiam. Eu sou mais forte do que eu penso e os outros são só os outros. É em você que eu me espelho e é por você que eu quero continuar. Se hoje eu sou poeira, é por amor que eu vou me juntar."

Sim, eu me basto. Mas levo na bagagem a humildade de que não posso seguir sozinha. A todos aqueles que me ajudaram em algum momento da minha vida, que secaram uma lágrima minha ou ouviram atentamente sobre uma das minhas fraquezas, meu profundo agradecimento! Vocês restauram minha fé no próximo diariamente.


terça-feira, 23 de julho de 2013

O relato de uma flor de gramado


É o tempo todo gente entrando na nossa vida. É sorriso dado, abraço, o prazer é meu, obrigada, até amanhã o tempo inteiro. São muitos encontros e despedidas também. Quantos "adeus" você deu no ano que passou? E quantos "bem-vindo"? 

A gente troca confiança toda hora. Transmite muita energia boa, mas muita energia ruim também. A gente acredita e se desaponta quase que diariamente. A gente reconhece os nossos. Oferece ajuda toda hora, atende telefone e responde a todos os chamados de quem a gente ama. E não adianta, eu sou daquele tipo de pessoa que o outro pode me derrubar com um desgosto... Se eu gostar dele, eu sei que vou ajudá-lo novamente. 

Só que no fim do dia, quando o sol vira escuridão, a gente sempre dorme sozinho. Mesmo acompanhado, a mente trabalha na solidão. No fim das reflexões só sobra a minha própria companhia, pois só eu consigo ficar quando penso em tudo. Ninguém tem o couro para aguentar meus pensamentos.

Quando o último raio do astro maior arranha minha janela, o meu quarto está quase sempre vazio. Quando a cidade silencia, minha cabeça vira carnaval. E de tanto pensar eu me arrependo. Me arrependo de idealizar pessoas que nunca vão chegar. Me arrependo de contar com gente que não sabe valorizar. Me arrependo, tanto, de esperar receber o que eu dou. 

Parece que no contar dos minutos de um dia inteiro, somos sempre aquela flor esquecida no meio de um gramado. Aquela que nasceu sozinha e luta, diariamente, para não ser pisada por qualquer distraído.        

E ao passar dos anos, a gente percebe o quanto nos sentimos estranhos por não nos encaixarmos em nada. No primeiro momento, parece que o mundo é que nos exclui. Depois a gente percebe que o mundo não existe, são as pessoas que são iguais. E a gente se separa de tudo.

O divórcio é passo necessário para desapegar das mazelas das relações pessoais. E quando falo em divórcio não me refiro a um pedaço de papel judicial, eu falo de posicionamento. Posiciono-me, agora, diante de você que não me entende, que não me aceita e que de mim se distancia, e proponho um acordo: vamos quebrar a ponte construída pela minha esperança em direção ao seu radicalismo e celebraremos a liberdade.

A liberdade de você ser você. A liberdade de me despedir, mais uma vez, de mim, sabendo que lá na frente me encontrarei novamente em uma era mais leve do que essa. Deixo, aqui, a pele morta das minhas frustrações e dou um passo mais fresco em direção a minha evolução. 

Você pode até não conseguir ler meus movimentos, mas eu interpreto facilmente a minha não vontade de voltar correndo para você.       

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A odisseia do auto-controle


Pelo bem da moral e dos bons costumes, inventaram o auto-controle. Aprendi  que não posso revidar o coleguinha que estapeia minhas orelhas sempre que senta atrás de mim, pois é feio. Preciso falar com a professora e avisá-la do meu incômodo. Bater de volta, JAMAIS! 

Depois eu aprendi que não devo me meter na vida de gente que não entende de moda e sai de casa parecendo um acidente da natureza, pois é feio. Devemos deixar os outros viverem. Aí eu aprendi, na mesma aula da aprendizagem anterior, que não devemos apontar defeitos dos outros, pois é feio. É falta de educação interferir na personalidade do outro, ainda que ele seja um filho da puta; o povo diz que a vida vai dar o troco. 

Tô esperando. 

Aí, logo depois, me ensinaram que não posso falar a verdade, pelo menos não toda, pois é muito, muito, muito feio mesmo ser sincera. Dizem que há hora e lugar para a honestidade. Achei que ela era tipo Deus, onipresente... Pelo visto, me enganei. 

Aí umas pessoas enfiaram na minha cabeça que é muito feio, tipo horrível, ostentar ou pagar de rico, mesmo que essas pessoas adorem marcar #iphone em suas fotos no instagram. Eu peguei, nessa aula, a apostila HIPOCRISIA e aprendi um tantão com ela, inclusive que ela serve para vários módulos. 

Aprendi que não posso avisar a uma pessoa que ela está parecendo que engoliu uma nota de 50 reais ou que balançaram a fava debaixo do kikiu dela, pois é muito feio dizer que alguém tem bafo ou tá fedendo. Eu que aprimore meus conhecimentos de apneia. 

Aprendi que não posso gritar quando me dá muita raiva e vontade de quebrar o crânio de alguém que é escroto comigo, pois perco minha razão(?) e é muito feio se descontrolar, ainda que o outro estoure todos os decibéis humanos possíveis. Ah! Aprendi que devo disfarçar o quanto gosto de funk e pagode, pois isso não é bem visto. 

Aprendi, também, que devo sorrir para quem eu sei que é falso, pois disseram que a política da boa vizinhança é sempre o melhor caminho. Não é bom fazer inimigos... Quem sabe o dia de amanhã? 

Aprendi que é um crime sentir ciúme, pois algum solteiro retardado/encalhado inventou que tudo que é meu, voltará, então não preciso segurar nem preservar ninguém. Deixarei livre meus passarinhos para que se percam nas granjas da vida. Quem sabe ele volta? 

Sabe o que eu aprendi também? Que TENHO que amar todas as crianças do planeta, pois são anjos enviados por Deus. Não, não são não. Alguns não são MESMO. E velhinhos nem sempre são agradáveis! E não é por serem mais velhos que, automaticamente, merecem respeito. Eu encontro cada um por aí...

Me ensinaram no facebook que não posso enviar solicitações de joguinhos para ninguém, mas eu preciso de vidas, ok? Eu preciso de batatinha frita no criminal case, movimentos extras no candy crush e amigos para expandir minha terra no farmville, mas devo esperar até amanhã para carregar minhas energias e brincar sozinha. É feio incomodar as pessoas no facebook. Muito feio mesmo! 

Aprendi que dá cadeia ter celulite. Estria, pena de morte. 

Aí no meio do caminho percebi que estava aprendendo a não ser eu e refleti. Na minha frente há uma multidão de pessoas iguais e robotizadas, seguindo o fluxo para nowhere! Eu, sinceramente, não tenho que aprender a conviver com ninguém. Na verdade, fica por perto quem quer. Eu até gosto de ser eu, às vezes. Nas vezes que eu não gosto, eu sempre converso com alguém que gosta que eu seja eu, aí fica tudo bem.

A gente só precisa se entender. Eu me entender, você se entender. Chega disso de entender o outro. Se entenda e seja seu melhor amigo. As cores do seu mundo partem de você. Cuidado com o auto-controle, ele é um vício maldoso. Na hora da reflexão, opte por ser você. Um dia dá certo! :)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Você sabe quem é o seu inimigo?

Você passará uma vida inteira, após a primeira decepção, procurando um algoz. Determinará, em cada vacilo de outrem, quem te importa e quem pode ficar para trás. Deslizará entre todos aqueles que atravessarem seu caminho com seus julgamentos intactos, muito bem resolvido com suas reflexões. Permanecerá fiel à sua mente inquieta, ao seu orgulho rochoso. Quem merece sua retórica? Quem alcança o seu perdão?

Caminha sobre pedras que você mesmo encaixou, forma, sob seus pés, uma trilha empoeirada de arrependimentos e lembranças que nunca te deixam ir totalmente além, muito menos reconhecer a necessidade de retroceder.

Aponta suas opiniões em uma linhagem cautelosamente imperativa. Ordena os seus passos, os outros passos, quem passa e quem já passou. Esconde seu rabo entre as lamúrias de um ser desajeitado, convicto de suas próximas pegadas, mas totalmente alheio ao processo de caminhar. 

Baterá o telefone como quem bate no rosto de um criminoso. Alçará pensamentos negativos por aquele que te deu amor. Desistirá de planos por falta de merecimento, negará abrigo a quem te abrigou. Ainda assim, inflará o peito de medos e fingirá uma coragem fragilizada, puro carnaval. Perseguirá todos os monstros em pessoas específicas, quebrará todos os vidros que protegem suas jóias, tudo em nome da moral. 

Vira oceano quando precisa da profundeza fria de sua zona abissal. Vira lago ao deparar-se com a necessidade impulsiva de voltar às suas origens. Transforma-se, rapidamente, em vento quando precisa ir embora. Quero ver se transformar em árvore: fincar raízes e permanecer. Aguentar a ventania, o abandono de suas folhas, o nascimento dos seus frutos, o furto dos seus galhos, os pássaros que te golpeiam e ficar ali.

Adianta? Adianta correr uma vida inteira atrás dos malfeitores quando o monstro mora em você? Adianta deixar-se sabotar na tentativa pífia e covarde de culpar os outros? Não pode ser tão doloroso assim olhar para dentro. Ou não deveria.

O destino do acusador é sempre a solidão. No fim de todos os dedos apontados, nem você sobrará. Tornar-se sincero consigo mesmo é o primeiro passo para viver em paz. Tornar-se sincero com os outros, é o primeiro passo para o paraíso. 

É importantíssimo descobrir quem é o monstro na sua frente. Mas nunca esqueça: você também é o monstro de alguém.




domingo, 30 de junho de 2013

Oração ao amor

Há um fio de destino que me separa de você. Uma linha tênue entre o que sou e o que gostaria de ter sido para você, querido. Há em mim uma vontade maternal de ter sido o seu anjo da guarda, o enviado para você, para assistir sua jornada em direção à Terra. Gostaria de ter estudo para ter feito sua ultrassom e ouvir, pela primeira vez na vida, a batida do seu coração. Depois, puxá-lo do primeiro lar que essa vida te deu e ser a responsável por apresentar a você o nosso mundo, embora seu primeiro choro partisse meu coração. E aí desvanecer feito poeira, transformando-me em uma criatura imperceptível para, em silêncio, acompanhar seus primeiros dias em casa, feito papel de parede. Imóvel, enfeitando a sua visão diária e sendo seu castelo. Não há mal que me impeça de desejar ter sido seu primeiro Natal ou o pisca-pisca que brilhou seus olhos naquela noite. Eu queria ter sido o seu presente de aniversário, aquele que você esperou tanto, para, ao me desembrulhar, presenciar o seu olhar descrente de alegria e satisfação, seguido pelo sorriso da gratidão. Eu queria ter sido sua primeira bicicleta e ser a responsável por fazê-lo sentir o prazer do vento no rosto. Eu queria ter sido a primeira menina que fez o seu coração bater mais forte para introduzi-lo ao amor. Mas eu não queria ficar apenas na sua infância. Eu queria ser o travesseiro que abafou seu primeiro choro escondido, aquele que ouviu seus pensamentos mais dolorosos. Eu saberia te dar o conforto que precisava, eu sei que saberia! E que Deus me perdoe, mas eu gostaria de interceptá-lo para que nunca perdesse ninguém que te fizesse muita falta! Eu queria ter sido a inspiração para sua primeira composição e o seu time de futebol. Vê-lo me cantar ou gritar meu nome, vestir minha camisa e me encaixar em uma melodia bonita. Ser suas músicas favoritas e vê-lo resgatar-me das suas memórias diariamente no chuveiro, no caminho para a escola ou na praia. Vê-lo irritar-se profundamente por não lembrar de um dos meus versos. Eu queria ter sido seu primeiro banho de mar! E ter impedido suas quedas de árvores e tropeções vergonhosos. Quem dera eu fosse a consciência que te impedisse de errar ou caminhar para o arrependimento. Fosse eu o vento que levou sua primeira lágrima de amor ou a areia riscada com o seu nome. Eu queria ter sido o seu primeiro carnaval e a sua primeira oração de fé. Que convocasse meu espírito no agradecimento e no desespero, que eu fosse fonte de esperança e calmaria, sua maior alegria. Gostaria tanto de ser o impulso que precisa para os seus sonhos, qualquer coisa que desencadeia um sorriso seu. Eu gostaria de ser o tempo que te envolve.

A sensação, meu bem, é a de que o mundo não sabe cuidar de você como eu saberia. E a certeza, querido, é a de que eu estragaria a pessoa que, hoje, eu amo. Por não saber como negar-te seus desejos ou apresentá-lo à solidão, moldaria você de um jeito genérico. Por tanto, não sou nada disso. Abro mão do meu querer pelo seu ser e sigo assim, sendo aquilo que me cabe. 

Devolvo você ao mundo da mesma forma que o roubei para encaixá-lo nos meus devaneios. Por não caber, peço que siga suas pedras. Você sabe ser você melhor do que eu. 

Vou sobreviver.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pelo fim da ditadura dos opostos.


Vamos ser radicais: Não há nada nesse mundo que me convença a atração dos opostos, e quando falo em opostos é para ser literal: Não pode só não curtir algo do outro, mas tolerar, tem que não gostar MESMO. Absolutamente nada me convence que a menina que é super caseira, ama filmes de comédia e ouve Maria Gadú para varrer o quarto permanecerá por muito tempo com um funkeiro, farinha de festa e adepto ao beber até cair. 

O amor que se constrói entre duas pessoas pode, no início, até fazer a bailarina cair de amores pelo DJ de raves, mas eu bato aposta: não vai durar. E eu vou te dizer o motivo: o ser humano é construído em cima de uma base muito frágil, conhecida como INSEGURANÇA, e quando a gente se percebe não sendo o modelo de pessoa que a gente acha que aquela pessoa gostaria de ter, quando a gente percebe que não se encaixa em nada da vida dele, é essa base que nos acorda para as possibilidades.

Só há duas justificativas, na minha opinião, para explicar quando dois opostos dão "certo": eles não eram tão opostos assim ou, pelo menos, não conheciam outras opções e, ao conhecer, gostaram, portanto... Não eram opostos, apenas distraídos. A segunda opção para desvendar a permanência duradoura de dois opostos em uma vida amorosa provavelmente está ligada ao fato de algum dos dois estar anulado na relação, o que já profetiza um fim.

Se você olha para quem está do seu lado e pensa: "isso não vai dar certo", provavelmente não dará. É besteira achar que você conseguirá, da noite para o dia, trocar sua Katy Perry pelo Caetano Veloso dele, a não ser que você, de fato, simpatize. 

O nosso oposto, logo de antemão, já representa o que não queremos ser e não o que não pensamos em ser, pois, no segundo caso, há uma falta de interesse que pode ser revertida. Eu amo os animais e alguém que maltrata eles nunca me atrairia. É com esse nível de oposição que estamos lidando. 

Aí você se arrisca, quer insistir na relação com o seu contrário e, logo ali na frente, encontra uma encruzilhada: deixar de ser quem é, para trilhar o caminho do outro, se anulando, ou soltar a mão dessa relação que não era nem para ter iniciado. Digamos que você é louca e opta pela primeira opção. Sabe o que vai acontecer? Lá na frente você vai ser invadida constantemente por uma sensação de não-encaixe que você nem saberá de onde veio e isso vai consumir seus pensamentos, suas ações e sua energia. Você vai se perceber tentando, ao máximo, ser o projeto de mulher ideal para ele que não é o homem ideal para você. E quando isso dará certo? Nos meus cálculos, nunca. É como uma cenoura que tenta ser a melhor maçã para um tomate que pensa ser um hambúrguer. TUDO sai do eixo, pois não há coerência e você, provavelmente, está perdendo seu tempo com alguém que está acomodado em ser ele mesmo.

A graça de um relacionamento saudável sempre girou em torno das descobertas. "Hum... Ele é espírita e eu, católica, mas sempre tive curiosidade. Acho que vou acompanhá-lo em um centro." Olha que bacana, novas experiências! Agora o "Hum... Ele passa o dia inteiro trancado dentro de casa, na frente de um videogame e eu me sinto péssima! Mas ainda que eu ame o ar livre e tenha planejado viver em uma casa nas montanhas, acho que posso me esforçar para mudar o que eu gosto." é caixão e vela, fia.

Ninguém consegue sustentar a auto-estima no alto se não conseguir ser o que ele nasceu para ser. Todos temos inclinações e, mais cedo ou mais tarde, acharemos pessoas com gostos e atitudes parecidas com as nossas para uma convivência leve e harmoniosa. Isso serve para amigos, também. Relacionar-se não é para opostos, pois relação é uma troca e a gente não sai no lucro quando trocamos o que amamos por algo que não nos representa.

Portanto, se você se apaixonar por um suposto oposto, procure nele suas semelhanças. Se achar, bingo! Se não achar, meu bem, dê meia volta. Gastar tempo e oração com alguém que nunca vai ser o que você quer que ele seja -  e ele tá certo! - é maluquice. O grande prazer da vida é assumir nossas vontades! E isso serve para você e para ele! ;)



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não se faz mais pessoas como antigamente


Há mentirosos, caminhada fatal na calada da noite, faca na mão de primogênito, olho na herança. Há agressores, ameaçadores doídos por uma nota baixa que ele mesmo tirou, jogadores de cadeira e destruidores de futuro. Há ausentes de responsabilidades, pessoas sem tempo para nada, geradores de filhos criados por babá. Há falsos sorrisos, abraços fracos, ligações perdidas e sensação constante de solidão. Há um reflexo distorcido do que você acha que deveria ser, frustração fabricada, insegurança e auto-estima rasteira. Há corpos desesperados por uma atenção duvidosa, donos de um movimento falso-feminista equivocado, perdidos. Há um rebanho seguindo um péssimo hábito de cultivo intenso ao corpo e desgaste cognitivo natural, portadores de um peitoral enorme que só guarda reflexões instantâneas, cada vez mais fasttalkHá socos e pontapés. Términos por falta de interesse na solução, preguiça e alta rotação. Há fotos no facebook, cobranças no whatsapp e nenhuma interação cara-a-cara que faça reconhecer aqueles dois nas declarações profundas da internet. Há crianças agindo como adultos e adultos com temores infantis. Há quem grite apoio por causas animais. Só. Há quem levante a bandeira do "bem feito" ao presenciar a justiça sendo feita pelas mãos de um outro. Há quem se compara, inconscientemente, ao acusado no segundo que sente prazer ao vê-lo sofrer. Há quem não acredite nos Direitos Humanos. Há psicopatas sociais sentados ao seu lado. Há mentiras brancas, tapa-olho e hipocrisia. Há quem curte o fingimento, atualiza diariamente suas ilusões e mente para si mesma. Há insatisfações patológicas, agressões verbais gratuitas e apologia ao bullying. Há quem acha uma bobagem essa coisa toda ao redor dos menores infratores. Há gente com cansaço para mudar de opinião, regendo o mundo através de empurrões ignorantes, reflexo de sua vivência rasa. Há muita indignação, descrença no outro, mortes rápidas, sentimentos efêmeros. 

Há tanta saudade.

Há saudade de um carinho amoroso, falta do olhar de um bichinho de estimação, da certeza de que podemos confiar. Há saudade de ruas mais tranquilas, de problemas mais distantes e gente de verdade. Há saudade da verdade. Há saudade das festas no playground e das gincanas no colégio. Há saudade do colégio que era, realmente, a segunda casa. Há saudade dos porteiros e das aulas de educação física. Há saudade da formatura e da infância. Há saudade de ir em frente. Há saudade de não ter medo. Há saudade de quando todo mundo era mais presente, da piscina e do peixe frito nas praias. Há saudade de quando todo mundo se amava muito, se preocupava com os outros e TAMBÉM com os animais. Há saudade de quando sem maquiagem era bonito e ninguém sabia se maquiar. Há saudade de quem se foi, mas ainda permanece. Há saudade de quando pai e mãe era respeitado e fazia jus a esse respeito. Há saudade de quando havia mais fé. Há saudade da leveza.

Que planeta adoecido esse que vivemos. Eu sou, muitas vezes, objeto de repúdio para mim mesma quando me percebo caindo na armadilha desses maus pensamentos. E me sinto, quase sempre, uma estranha no meio de tantas pessoas conformadas. Mas não posso deixar que o patológico se torne algo natural e vou persistir no meu pequeno território. Onde eu piso há muita reflexão. Onde eu caminho há muitos arrependimentos e pequenos concertos. Onde eu ando não é permitido auto-ofensas e "pensar melhor" é sempre o melhor trajeto a ser seguido. Onde eu estou há pausas. Às vezes, há rancor. Mas há, mais ainda, muitas chances.

Há tanta esperança...


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Não se faz mais filmes de terror como antigamente...

Estou arrasada. Virada no car**** com esses filmes de terror. Aliás, com esses filmes que se DIZEM de terror, pois muitos deles beiram a comédia. Eu sempre fui, desde muito nova, uma adoradora dos filmes dessa categoria e venho me desapontando seriamente com o que venho vendo nas telinhas. Antigamente, eu via um filme de terror e não conseguia dormir e essa era a graça de assistir, pois eu sempre fui chegada a ter medo, me assustar etc. Já chorei de medo assistindo, gritei de arder a garganta e, hoje em dia, quando muito... um pulinho de vez em nunca na cadeira do cinema.

Os três últimos que foram lançados, francamente... O primeiro deles foi MAMA:


O enredo é até interessante, a ideia da história até colaria se o personagem não fosse tão uma versão zumbi dos looney tunes, onde um personagem de desenho invade o mundo real. Eu arriscaria dizer, EXCRUSIVI, que as meninas assustam MUITO mais em termo de imagem do que a própria MAMA, assim que elas são achadas.

Duas crianças crescem na floresta após o seu pai tentar matá-las e elas serem salvas por MAMA. Ok, até aí tudo bem. Aliás, o filme é FANTÁSTICO até MAMA mostrar sua verdadeira face para o público. Ela assusta muito mais enquanto permanece na penumbra da noite, na sombra das paredes e no canto dos olhos das meninas.

Ainda assim, após a revelação, o filme tem um final inesperado - pois não é no estilo o bem sempre vence o mal - e você até desenvolve uma peninha de Mama e acaba sendo um dos melhores, na minha AOMILDE opinião, do gênero ultimamente. Pelo menos esse tem uma história massa que te envolve, já os outros...

O outro que assisti, logo em seguida, foi a Morte do Demônio:

Que mentira, minha gente. De apavorante, o filme não tem NADA. Eu juro que, inclusive, ouvi gente dando risada no cinema. 

OK que eu sou carne de pescoço, mas eu assisti a película apavorante (uiii!!) comendo um delicioso prato do Pasta Fast, um macarrão com molho branco, frango com camarão que, rapaz... Estava bem mais interessante! 

Tudo bem que ele é uma "nova visão" de um filme de terror de 1981 e que se a gente assistisse ele hoje, entraria facilmente na categoria de trash, eu imagino.

Inclusive, cometerei a gafe de comentar sem ter assistido o original, mas vamos lá. 

Derrame muito sangue, mas muito sangue mesmo, misture com vômitos, membros arrancados na tora e muita safadeza de uma demoniazinha de colegial e TCHARAM! Essa é a morte do demônio! 

Ok, se era para ser trash, eu respeito. Ele alcançou o objetivo. PORÉÉÉÉM, acho que eles não tinham isso como alvo, era para realmente ser um filme apavorante e... QUÉN, QUÉN, QUÉN, QUÉÉÉÉÉN....

Não há história, enredo, nada que sustente a sua atenção no filme. Todas as cenas são imagens bizarras de um demônio lésbico-drogado que fica pregando peças em todos, faz uma chuva de sangue e uma grande fogueira no final.

O último que eu assisti foi O último exorcismo - Parte II:

Ói, que raiva, viu? Que desgrama de filme UÓ foi esse? Pense no dinheiro perdido? Mas, minha gente... Esse aí não tem condição não! Primeiro que essa imagem do cartaz não existe no filme e eu DETESTO quando isso acontece, propaganda enganosa. Segundo que, veja bem, a parte I desse exorcismo, em 2010, foi até um sucesso a parte, mas desconfio que o motivo tenha sido o final sem respostas que ele dá. Esse aqui foi inventar de dar um desfecho, deu uma merda da porra.

Essa piranha beata, porque é isso que ela é, dá uma de santa durante o dia e vira primeira dama do inferno durante a noite. Mas é uma parada tão sem pé nem cabeça que, sinceramente... Me tirou do sério! 

Primeiro que ela é possuída pelo demônio Abalam e eu já não quero nem ler sobre ele!!! Pelo visto, é um peixe pequeno adolescente do inferno, novato nessa onda de exorcismo... Se apaixonar pela possuída? UM DEMÔNIO APAIXONADO PELA POSSUÍDA? Onde foi, em 23 anos de existência, que eu achei que fosse viver para ver isso? Coloca logo na categoria de comédia romântica, marvejasó!!! 

Ele USA as pessoas que ela ama para CONTAR a ela sobre o seu amor. O SEU AMOR! As pessoas que ela ama se matam para que só reste ele para ela amar. Não está acreditando? NEM EU! Aí no fim das contas, sabe o que a piriguete endemoniada faz? Aceita o casamento. ELA ACEITA ABALAM COMO SEU LEGÍTIMO ESPOSO ATÉ QUE... NADA OS SEPARE! Aí sabe o que ele faz? Dá os poderes dele para ela. Quer dizer, né...

Isso dá trama para novela das 8, dá não? Aí a fofa, agora que virou namoradinha do diabo lá, sai pela cidade tacando fogo nos arbustos e ouvindo rock'n'roll. Ohhh!!! Como ela é malvada!!! E fim da história.

ME MATEM LOGO!

Cadê a agonia de Constantine? O desespero do exorcismo de Emily Rose? Onde está a galera que fez O Chamado? Cadê a inteligência e o suspense de 11-11-11?? Por favor, voltem a fazer filmes! PELAMOR!! A gente precisa de vocês.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

O amor é uma vitrine

Quando eu nasci, o amor tinha cheiro de leite e de colchão. Ele tinha uma atmosfera de cansaço, mas de muita gratidão. Ele funcionava 24 horas e parecia, realmente, ler os meus pensamentos quase sempre.

Quando eu fiz 1 ano, o amor era uma festa muito grande e exagerada, cheia de adultos, que me deu muito sono.

Quando eu fiz 2 anos, o amor queimou o meu pé. Ele era um pouco desastrado comigo, pois eu estava crescendo rápido demais e tomando minhas próprias decisões. O amor estava passando de gratidão para preocupação.

Quando eu fiz 3 anos, o amor começou a ter cara de quebra-cabeça. Na escola eu descobri que a pró também me amava um pouquinho, aí eu soube que o amor também morava fora de casa.

Aos poucos eu fui percebendo que o amor não era uma coisa só, muito menos privilégio da minha família. Quando eu fiz 7 anos e entrei em uma escola maior, eu descobri que podia fazer amigos e que nos amigos também tinha amor.

Quando eu fiz 13 anos, eu descobri os meninos e descobri, também, que às vezes a gente jura que tá amando, mas no fim, não está.

Com 15 anos, eu achei que tudo ia mudar, pois todo mundo dizia que eu viraria uma mocinha. Não mudou nada, eu só fiz 15 anos. Porém, comecei a duvidar do meu amor por mim mesma. Era muito difícil ser eu e, por isso, eu e o amor acabamos brigando.

Eu comecei a perceber que amor não era mais colchão. O amor não estava mais disponível para mim quando eu quisesse. Eu comecei a perceber que alguns amigos, uma das casas do amor, eram mentira e que, mesmo eles sendo mentira, o meu amor chegava até eles, ainda que encontrasse uma casa vazia. 

Eu fui descobrindo, muito devagar, a cada parada, que o amor, inúmeras vezes, é só uma gotinha do oceano. Que tem dia que a gente promete de pé junto: "Deus, é só ele que eu quero para toda a vida!" para um ano ou um mês depois agradecer sua partida.

Descobri também, por vezes rápido demais, que a gente também erra na dose de amor próprio. Que eu não devo nunca me amar demais, para não correr o risco de parar de evoluir, nem nunca me rogar pouco amor, para não correr o risco de estagnar na escuridão. 

Eu saquei, só por agora, que o "te amo para sempre" é uma bobagem! O amor vive no agora. Eu te amo hoje e espero te amar amanhã, mas isso depende da gente, não é? O amor é um instante tão curto que mais parece uma virada de cabeça entre uma discussão e o nunca mais.

Com 19 anos, eu descobri que amava a Psicologia de um jeito muito pessoal. Não para exercê-la (quem sabe?), mas para apreciá-la. Eu descobri que amo as pessoas de uma maneira frágil, mas eu amo. Eu amo a forma como elas são diferentes e como elas me proporcionam um entendimento cada vez mais eficaz da vida. Eu amo até quando elas me desapontam, mas só depois que a minha dor passa e eu entendo que cresci depois daquilo.

Com 21 anos, eu descobri que o amor nunca foi coisa de super-herói e que é sempre importante perdoar um segredo do passado. Aliás, eu descobri que existe muito amor no perdão quando eu descobri que tinha dificuldade em perdoar.

Eu me senti mulher pela primeira vez e vi uma brecha da necessidade que eu tinha em me amar um pouco mais. Eu estava extremamente negligente comigo mesma e tinha a ver com o amor. Eu era faltante, um buraco moribundo  preenchido por uma casca simpática.

Eu achei um pouco de amor na terapia. Achei um pouco de amor nas amigas de verdade. Achei um pouco de amor em alguns membros da minha família. Achei um pouco de amor nas minhas escritas e nas minhas fotos. Achei um pouco de amor nas minhas viagens e nos textos que eu lia.

Agora, com 23 anos, eu achei muito amor na dúvida e no prazer de não saber para onde ir. Lógico que há confusão e receio, mas há muito amor nas possibilidades. Encontrei um amor maduro que está ficando, encontrei um amor sólido em vocês que ficaram, encontrei um amor nostálgico em tudo que se foi e um amor de esperança para o que virá.

Ando descobrindo que o amor é ridiculamente fácil de encontrar. Eu vejo amor quando minha filha de quatro patas me olha nos olhos, quando eu penso em ser mãe, quando dou uma nova chance a qualquer pessoa, quando dou bom dia e me respondem e quando quem eu amo diz que eu estou bonita.

O amor, eu acho, é só memória e contato imediato. Dá para guardar no bolso e escolher a quem ofertar. Mas precisa escolher direito, pois amor barato dá retorno barato e eu sou valiosa demais para me vender assim.

domingo, 12 de maio de 2013

Momi's day!



Momi, obrigada por não ter me matado quando furei a língua, nem ido para Ouro Preto processar a mulher que eu enganei com a assinatura falsa da atendente da sorveteria. Obrigada por não ter tirado meu couro como prometeu quando eu fiz a tatuagem da costela e não te contei! Obrigada por não ter me deserdado quando pesquei em cinco provas, fui pega, tomei zero em todas e você teve que comparecer à diretoria no meio da semana! Obrigada por continuar comigo quando eu pegava 6, 7 recuperações e me dar o sábio conselho "minha filha, eu só não quero que você perca de ano", me fazendo segui-lo ao pé da letra! Obrigada pelos conselhos semanais e por nunca me deixar sair sem dinheiro de casa... Vai que me dá fome, né? Obrigada por me ensinar a dancinha do ombro, clássica, e por me apresentar o sorine, rinisone e afins! Obrigada por não me matar quando eu voltei para casa com Gabi sem pedir permissão! Obrigada por continuar me amando mesmo quando eu disse que ia fugir de casa e desisti por causa da chuva. Obrigada, também, por não desmaiar quando, depois de passar 5 anos na faculdade estudando para ser psicóloga, eu disse que o que eu queria mesmo era ser uma Big Brother. Mãe, você foi fantástica quando eu disse que não queria trabalhar e você me mandou jogar na loteria, então. Você é mais minha mãe ainda quando me obriga, não importa o que eu estiver fazendo, a assistir na TV do meu quarto o que você assiste no seu. Obrigada por nunca ter feito cara feia quando eu pegava seu sanduíche noturno de carne e fazia você fazer outro para comer. Obrigada por me dizer "xu, o cartão da renner, c&a e marisa estão livres, pode comprar", eita ALIGRIA! Obrigada por sempre dividir ou acabar deixando para mim seus cremes da nativa SPA. Obrigada pela festança de 1 ano que raspou todas suas economias e eu não lembro de nada! As fotos estão ótimas! Obrigada por me chamar de Maria Antônia vez ou outra, isso me deu uma perspectiva engraçada da vida e me permitiu ser quem eu quisesse na hora que eu quisesse. Com certeza minha futura filha terá um nome reserva igual ao meu! Obrigada por usar meu pincel de pó no blush e me fazer, certa feita, ficar com meu rostinho todo pêssego, isso me ensinou a ter paciência com os mais velhos. Obrigada por assistir comigo - e rir junto - 220 volts, casos de família, meu grande casamento cigano e as kardashians. Mãe, obrigada por dizer que eu ficaria uma quenga nigrinha se virasse loira. Eu ficaria mesmo, já desisti. Obrigada por pagar minhas contas e minhas viagens! Obrigada por ter me levado para furar o umbigo! Você disse que eu ia me arrepender e eu me arrependi mesmo, que maravilha isso! Acho que você é uma feiticeira! Ah!!! Obrigada pelos frasquinhos de alfazema com pemba para me proteger, um deles me salvou no carnaval! Obrigada por mandar eu atualizar meu blog e emagrecer 10kg! Enfim... São muitas cagadas! Obrigada por ser a draga mais doce de todas! Te amo!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Fundamentos de uma vida leve.

Entenda que as portas do seu coração não podem abrir com qualquer chave.
Entenda que alguns amigos, por mais que tenha feito planos com ele, simplesmente soltarão sua mão no meio do caminho.
Entenda que um relacionamento saudável tem muito mais a ver com discussões solúveis do que jantares à luz de velas.

Perceba que é você que controla o peso das ações dos outros nos seus ombros.
Perceba que suas dores de cabeça, no peito e na garganta podem ter a ver com seu medo de falar o que sente, bote para fora.
Perceba que você está menos sozinho do que pensa.
Perceba que você tem menos amigos do que imagina e isso pode ser bom.

Compreenda seus pais, eles querem te defender e proteger de tudo, até deles mesmos, e isso fará com que eles cometam muitos erros.
Compreenda seus amigos - os verdadeiros - eles também vão errar com você quando você mais precisar deles.
Compreenda a si mesmo e não se cobre como uma construção de ferro, você também pode errar.
Compreenda o mundo, ele vai continuar te decepcionando.

Esteja atento às críticas inflamadas e aos elogios exagerados, todos eles são letais.
Esteja atento às suas ações, mas se incomode menos quando elas te sabotarem.
Esteja atento ao seu amor-próprio e à auto-sabotagem. Os dois precisam de manutenção diária.
Esteja atento aos seus bichinhos de estimação, eles podem aliviar muitas dores que o ser humano não consegue alcançar.

Goste mais de você e do que vê no espelho.
Goste mais do que você se tornou, se isso te der orgulho.
Goste mais de mudar, se isso se tornar uma necessidade.

Os casamentos acabam.
As pessoas nos decepcionam.
A gente faz pelos outros e pode não receber.
Seremos injustos em alguma ocasião.

Não tenha medo de se desapegar de coisas, pessoas e situações.
Não tenha medo de tentar de novo, e de novo, e de novo.
Não tenha medo de amar alguém, de ter um filho ou se defender em uma discussão.

Tenha medo de arrependimentos, isso vai fazer com que você evite burradas.

Seu sorriso é lindo.
Sua alma é boa.
Você merece ser feliz!

Algumas coisas que aconteceram com você, podiam ter acontecido de um jeito melhor. Outras, podiam ter sido menos rigorosas. 
Você podia ter respondido melhor àquela pergunta e olhado nos olhos daquela pessoa.
A gente perde oportunidades de fazer a diferença a todo momento.
Uma chuva forte não te impede de sair de casa e um telefonema pode salvar relações.

Se desculpe.
Desculpe os outros.
Nunca durma com o coração amargurado, faz mal para o seu sono e quando acordar, perceberá que não passou.

Não tenha dó de ninguém, pessoas precisam de soluções e não da sua pena.

Ouça mais músicas, veja mais filmes, leia mais livros. Saia um pouco mais da internet. Viaje.

E, por fim, não leve em consideração nenhuma receita que prometa fundamentar uma vida leve se ela não te passar nenhuma verdade. No frigir dos ovos, o que importa mesmo é o que você plantou, basta preparar-se para a colheita.


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